Archive for category Experiências Pessoais

Pequenos (e poderosíssimos) Princípios – Esaú

‘Nunca tomes uma decisão permanente como forma de alcançar um bem temporário.’

A vida é uma cedência constante. Seja no casamento, na vida profissional ou nas amizades, saber ceder tornou-se uma arte. E das difíceis. São muitas as vezes em cedemos demais e acabamos reféns de escolhas baseadas em princípios pelos quais nem sequer nos regemos, mas aos quais nos decidimos render. Noutras tantas vezes, somos tão intransigentes e indomáveis de opinião, que nos tornamos impossíveis de suportar.

Como disse, a cedência é uma arte. Da mesma forma como o é andar numa pequena corda, 20m acima do chão, sem cair. Toda a forma de equilíbrio é arte. Saber ceder é arte. Saber ser intransigente também o é. Saber quais as linhas que pisamos e quais as que nunca ultrapassaremos? Pois, também se trata de arte..

Por vezes temos a tendência (humana, diga-se) de tomar decisões com efeitos permanentes ‘só’ porque estas aliviam uma determinada situação de forma temporária e imediata. É o princípio da dor física transposto para a nossa vivência. Quando sentimos dor, a nossa preocupação inicial não é a de saber o porquê, mas sim acabar com a dor, custe o que custar. Na vida, e devido a esse princípio, muitas vezes nos limitamos a ‘tomar analgésicos’, sem procurar saber a raiz da dor da nossa alma. E nesses analgésicos, regularmente, encontram-se concessões que nos aliviam o presente mas hipotecam de forma irremediável o futuro.

Nunca me esqueço da história de Esaú. O cansaço e a fome fizeram-no tomar uma decisão parva. Por causa de um guisado, o Deus de ‘Abraão, Isaque e Esaú’ tornou-se o Deus de ‘Abraão, Isaque e Jacó’. Trocar um benefício permanente para experimentar um alívio temporário tem este resultado: até pode saber bem no momento, até pode contribuir para aliviar a carga no presente, mas essa troca, mais tarde ou mais cedo, encarregar-se-à de nos apagar da História futura. Ou, no limite e na melhor das hipóteses, de nos tornar aquele que personifica na perfeição o papel terrível de ‘viste o que lhe aconteceu? Não cometas o mesmo erro.’ Sinceramente, não creio nenhum de nós queira representar esse papel no palco da nossa História.

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Suprema Ironia

A fé alheia é sempre insuficiente. A generosidade do outro é sempre abaixo do que poderia e deveria ser. A boa vontade de fulano, sicrano ou beltrano é sempre resultado de algum interesse particular escondido. A riqueza deste ou daquele é sempre obtida de forma desonesta. As vitórias de ‘x’ pessoa nunca são fruto de mérito, esforço e dedicação. A sorte é uma vizinha teimosa que insiste em oferecer conquistas a quem menos as merece. Até Deus, do alto da Sua sabedoria e omnisciência, se vai enganando aqui e ali, distribuindo de forma errada e equivocada boa parte das Suas graças.

Mas nós não, pois não? Julgamos a nosso bel-prazer aquilo que não é conjugado na primeira pessoa, pessoa essa (nós) que todos os dias revela essa qualidade, capacidade e até frieza de estar sempre no sítio certo. E se a fé nos fraqueja é porque as circunstâncias (alheias, e por isso, incontroláveis) a isso nos obrigaram. Se a generosidade é curta, tal deve-se a esta desgraçada conjuntura que nos estrangula. A nossa boa vontade é sempre a melhor, excepto quando não é. A nossa riqueza é sempre fruto de imenso sangue, suor e lágrimas, mesmo quando o sangue, o suor e as lágrimas derramadas não passam de uma encantadora fábula. As nossas vitórias e conquistas são sempre épicas e esforçadas, mesmo quando é preciso acrescentar pontos aos contos. E Deus, esse grandíssimo ser em quem depositamos tanta coisa, tem também aquelas largas e longas costas (ou barbas, quem sabe), sítio em que depositamos as responsabilidades da nossa ‘má fortuna’, vulgo ‘destino’. Do alto da nossa soberba, perguntamos ‘que raio de justiça é a Tua?’ E até o orgulho, esse terrível habitante dos planetas que à nossa volta gravitam, não passa de ‘santo’ quando decide penetrar na camada do ozono do planeta ‘Eu’.

Eu sei que estas palavras não se aplicam a nenhum de nós. E é por isso que escrevo para essa entidade imaginária, entidade na qual deposito a esperança de ver assumidos os erros próprios, entidade essa que tem um nome tão esquisito quanto indefinido, e que dá pelo nome de ‘outros’. Ai de mim ter a coragem de escrever para si, caro leitor. E ainda mais ai de mim escrever para mim mesmo, entidade divina e intocável, que nunca falha e raramente tem dúvidas. E quando decido não escrever para nenhum de nós, isso não é sintoma de cobardia, de forma nenhuma. É apenas porque aqueles sobre os quais eu deveria/poderia/queria escrever são pessoas nas quais já perdi a fé. A disposição para gastar o meu latim em fariseus que nada fazem/fizeram/farão, tem limites e eu já atingi os meus.

Deixo última palavra a todos os que atiram pedras e críticas e chamadas de atenção e que se têm divertido com o lançamento de chatices várias sobre a minha pessoa ao longo dos anos. Digamos que estou a coleccionar todas as pedras que têm sido atiradas. E não, não é Fernando Pessoa e a ideia peregrina de com elas construir um castelo que por trás disso se esconde. É mesmo a certeza de que, um dia, terei oportunidade de devolver todas elas, uma a uma, carregadinhas de juros. Se vos dissesse o quanto anseio por esse dia, todo um novo texto se abriria à nossa frente. Para já, limito-me a guardá-las, do alto da minha extrema capacidade, sabedoria e inteligência. O buraco que tenho na alma é de tal forma grande, que para todas elas tenho espaço de sobra.

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Pingo Doce Madness

Dumping, escravatura, falta de civismo, aproveitamento do feriado. Digam o que disserem mas esta ideia dos senhores da Jerónimo Martins roça o brilhante. Mas isso é um somenos…

Como declaração de intenções, aviso desde já que a minha esposa trabalha no grupo, pelo que tenho uma visão privilegiada do que lá se passa. E é por isso que digo que gostaria que houvesse mais empresas neste país com o espírito e o cuidado da Jerónimo Martins. No dia de hoje, muitas famílias aproveitaram para fazer compras e poupar uma boa quantidade de dinheiro. Mas mais importante do que isso é saber que a empresa que levou a cabo isto paga salários a tempo e horas a milhares de trabalhadores, o que, por consequência, alimenta milhares de famílias por esse país fora, é o maior empregador da área retalhista em Portugal, oferece boas condições de trabalho aos seus empregados, bons incentivos (prémios) mesmo em altura de crise, além de muitos outros apoios que aqui não posso nem consigo enumerar. Uma empresa que, para compensar o dia de trabalho de hoje, ofereceu aos funcionários um dia extra de folga/férias. Escravatura, portanto. 

Eu sei que muitos continuarão a criticar e a menosprezar. Mas deixem-me dizer-vos que uma empresa que, directa e indirectamente, gera milhares de postos de trabalho, que paga milhares de milhões de € em impostos (sim, porque continuam a pagar a maioria desses impostos em Portugal, apesar da suposta fuga para a Holanda), só merece o meu respeito.

Quem critica? Só espero que consigam gerar 0,1% da riqueza que estes senhores conseguem. Portugal seria um país bem melhor…

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Olá vitória!

Vitória. Sei de onde vieste e sei quem te trouxe. As nossas vidas têm tido desencontros, eu sei. Mas isso só me tem aguçado o apetite por ti. Diziam-me que já havias sido conquistada, algures num tempo remoto. Diziam-me que alguém já a tinha reclamado de forma permanente e irreversível. E eu anuía, mesmo sem sabendo bem o que isso significaria. Pois bem, eis que a vida me ensinou o que é a vitória reclamada para mim.

Derrota. Quase me superaste. Quase me deitaste abaixo. Ias-me levando a vida e o coração. Quase me toldaste o raciocínio, quase me roubaste o Criador. Arrefeceste-me o coração, levaste-me a alma e quiseste vendê-la ao desbarato. Mas não venceste, não.

Vitoria. Percebo hoje que o teu caminho é de luta e sofrimento, talvez até de mais baixos do que altos. Tens atrás de ti um manto de jornada, através da qual conduzes pacientemente cada um de nós. És o tal caminho de que o escritor falava, o caminho estreito, difícil e árduo. Pareces de difícil acesso, teimosa e fugidia. Mas na realidade já foste conquistada.

Derrota. Cada esquina tua convida à desistência. Ia caindo na tua cantiga, e isso significa que, da próxima, terás de te esforçar mais. Hoje és parte do meu passado, mas também sei que voltarás no meu futuro. Sabes porquê? Porque cada trago, cada gole que dou de ti é um passo mais. Sim, é um passo. Porque és tu que me espicaças, minha cara. É a tua iminência que me acorda, é o ver-te a face que me faz querer saborear a vitória.

Vitória. Sei de onde vieste e sei quem te trouxe. E quem te trouxe é quem me trouxe tudo e me convidou a esta jornada. E é esta a jornada que eu escolhi. Servir a fonte de todas as coisas, com todas as forças, com todo o querer. Não há outro caminho.

E por tudo isto, até poderei sofrer tribulações, mas não angústia. Até me podem deixar perplexo mas não desesperado. Ou ainda ser perseguido, mas não estarei desamparado. Ou até abatido, mas sei que jamais serei destruído.

E é nesta promessa que coloco o meu coração. Ou melhor, é no autor da promessa que coloco o meu coração. Porque só no Autor encontrei o verdadeiro descanso, a verdadeira ideia, o verdadeiro fim das coisas. E é neste Autor que descanso.

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Raios partam as resoluções de ano novo!

Sim, é a primeira vez (acho eu!) que o meu blog imortaliza a expressão raios partam. e agora que já captei a vossa atenção, vamos lá falar desse grande flagelo da humanidade. Sim, como todos já adivinharam falo das ‘resoluções de ano novo’.

Eu não sei quem começou com esta ideia peregrina de mudar toda a vida no espaço compreendido entre as 23h59 do dia 31 de Dezembro e as 00h00 do dia 1 de Janeiro. Mas uma coisa eu sei. É das ideias menos inteligentes que eu conheço. Além disso, deve ser das coisas que menos resultados práticos oferece. Mas já alguém conseguiu cumprir uma resolução de ano novo logo às 00h00 de 1 de Janeiro? E ha alguém que acredite que uma decisão, uma mudança, não pode ser levada a cabo a 16 de Junho ou a 10 de Novembro?

Sabem o que acho? Isto não passa de passa de uma excelente maneira de ‘empurrar para frente’ todas as grandes decisões da nossa vida. Eu até seria adepto das resoluções de ano novo se elas fossem verdadeiras e efectivas. Mas como não o são, têm em mim um claro opositor. Se tiver alguma coisa para mudar, mudo agora. Não, não vou esperar por 1 de Janeiro para começar a dieta e o exercício e levar uma vida mais saudável. Não, também não vou esperar por 1 de Janeiro para mudar a minha atitude para com os outros e ser alguém mais prestável e amigo. Não, também não vou esperar por 1 de Janeiro para me dedicar mais à família. Se tenho de o fazer, faço-o hoje! E a não ser que hoje seja dia 1 de Janeiro, não espero pelo mesmo para começar alguma coisa.

A resolução de ano novo não existe. Existem as decisões, as resoluções que tomamos todos os dias. As decisões que marcam o nosso dia-a-dia. As escolhas que me tornam melhor ou pior pessoa, pai, filho, marido, mulher, amigo, irmão ou primo. Essas são as decisões, as escolhas que na realidade contam.

Se tens uma decisão por tomar, não esperes por Sábado. Começa hoje a agir conforme essa resolução de ano novo. Porque Sábado só muda uma coisa: deixa de se 2010 e passa a ser 2011. Se precisas disso para te sentires motivado a mudar a tua vida, então talvez tenha as motivações depositadas no sítio errado…

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Perde-te a ti mesmo agora, pergunta-me como!

Isto é tudo muito bonito, mas resumir os nossos relacionamentos a ‘o que lhe vou oferecer no Natal’ é um engodo de primeira. Porquê? Porque o que ofereço a alguém não é o escape de uma qualquer indiferença a que tenho votado alguém nos últimos dias, semanas ou meses. Também não é a forma de compensar o facto de ser um pai, marido, tio, primo, filho, afilhado ou amigo ausente nos últimos tempos. É um engodo pensarmos que qualquer coisa material pode substituir a nossa presença e o nosso calor. Sim, pode substitui-los por um período de tempo, mas não apaga a ausência permanente ou estendida no tempo de ninguém.

É por isso que me causa alguma confusão a azáfama natalícia. Na realidade, adoro dar prendas, mas confunde-me o dar prendas como antídoto para tudo. ‘Ah, este ano trabalhei demais, quase não passei tempo com os meus filhos, vou compensá-los!’. Ou um ‘Este ano não consegui ir ver a minha Tia X, por isso vou mandar-lhe uma caixinha de bombons, para ela se lembrar de mim.’ Nada paga ou substitui o meu calor, esta é a realidade. Nada compensa as minhas ausências, por muito justificadas que sejam.

‘Ruben, estás a ser muito idealista! O mundo mudou, os relacionamentos mudaram, o ritmo de vida é diferente!’ Sim, é verdade. Mas uma coisa eu sei. Há filhos que continuam a precisar dos pais, há amigos que continuam a precisar de um ombro, há avós que continuam a precisar da visita dos netos, mesmo quando estes já são crescidos. Não, nada apaga a tua ausência! E não, não é uma prenda de Natal, por mais cara ou simbólica que seja que vai mudar isso.

Meus amigos, Natal não se resume a uma troca de prendas, nem ao acto de nos lembrarmos de alguém. Mas devemos aproveitar esta época para nos lembrarmos se temos sido bons pais, filhos, netos, avós, tios, sobrinhos, amigos, companheiros, etc. Se temos verdadeiramente estado presentes nos momentos importantes da vida daqueles que amamos. Na realidade, de que vale enriquecer, viver e viver bem, ter carros, casas e dinheiro, ser bem-sucedido? De que vale salvar o mundo e perder-me e mim próprio? De que vale ter tudo e tudo ter, se no fim do dia não há com quem o partilhar? E não, não penses nisso só de 24 para 25 de Dezembro…fá-lo agora!

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Reflexões de Hospital

Sinto o Santa Maria como se fosse parte da minha vida. Escrevo isto ao 10º dia de estada na ala de Cardiologia, Piso 8, cama 15, do Hospital de Santa Maria. Noutro lugar qualquer, 10 dias seriam um somenos na minha vida, mas não o são certamente aqui. E desde essas terríveis dores no peito que me assolaram na madrugada do dia 11 e que me trouxeram aqui até ao dia de hoje, muita coisa se passou.

Conheci o Sr. António, o Sr. Agostinho e o Sr. Eusébio. O Sr. António é uma cópia quase estranha do meu avô materno, na medida em que passa todo o tempo a meter-se comigo e eu a meter-me com ele. Com ele o tempo ficou mais leve, certamente, e penso que ele dirá o mesmo da minha companhia. Os seus 81 anos bem-dispostos e de uma vida que muito tem para contar aconselhavam talvez um homem mais grave, mais triste, menos divertido…mas não. Mesmo com uma hérnia de 7 kg que o acompanha…mesmo depois de a sua esposa ter morrido de cancro há 30 anos…mesmo depois de ter sido internado com problemas cardíacos…uma bela lição de vida para alguns dos maricas que aí andam (eu!) e que se queixam porque chove, porque faz sol, porque está vento, porque, porque, porque…Ficou prometido um almoço nas Caldas da Rainha, lugar onde mora. E irei com o maior dos gostos ter com este caríssimo amigo que me tornou os dias mais leves. O Sr. António deverá sair amanhã. Eu talvez 3ª ou 4ª. Mas fico com uma bela recordação destes tempos por aqui.

Conheci esta equipa da ala de Cardiologia do Hospital de Santa Maria. E fiquei abismado com o profissionalismo, a capacidade e o amor que esta gente dedica ao que faz. Saio daqui com maior respeito pelos médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar. Trabalham desalmadamente, muitas vezes em turnos de 24h ininterruptos, e ainda têm tempo para servir (é mesmo essa a palavra de ordem aqui, servir…) os doentes. Eles também tornaram a minha estada aqui bem mais leve, e bem mais fácil de levar.

Conheci ‘A Cabana’, que finalmente consegui ler com calma. E fiquei de tal forma estarrecido com esta história que a ela voltarei certamente. Não pensei que outro livro além da Bíblia conseguisse definir alguns pontos da natureza de Deus de forma tão bela, e simultaneamente tão clara e tão real. Ao ler, senti-me imbuído de uma necessidade de me aproximar d’Ele, de uma certeza de que mais do que ter de, eu quero participar daquele relacionamento que ‘A Cabana’ mostra. À pergunta ‘será que não sabia eu que Deus é assim?’, a resposta é sim. Mas vê-lo escrito e descrito daquela forma tão bela dá-nos um bálsamo extra para nos achegarmos a Ele mais confiantemente. E é sobre isso que trata o cristianismo…

Conheci-me quem me rodeia, os meus amigos, familiares e conhecidos. Mais uma vez percebi que a minha família é ‘à séria’. Tenho uma esposa ‘à séria’, uns pais ‘à séria’, uns irmãos ‘à séria’, uns tios ‘à séria’. Gente que tem o mesmo sangue que eu e que se preocupa comigo e não está descansado enquanto eu não estiver bem. Aos meus pais e esposa uma vénia. Estão sempre comigo e têm-me da do os mimos todos que pudesse imaginar… tive também mais uma prova de que tenho na minha igreja verdadeiros irmãos, que se preocupam comigo e me amparam nos momentos mais difíceis, em apoio e oração. Uma palavra à minha equipa de Artes, que faz a melhor homenagem que poderia fazer em continuando diligentemente com o seu trabalho semanal excelente e capaz. Sei que me têm nos seus pensamentos e orações, e isso é fantástico. Mas mais fantástico ainda é saber que continuam o trabalho de forma excelente. Esse é o maior gozo que me poderiam dar. Conheci também melhor os meus amigos e aqueles que estão comigo. Recebi dezenas, centenas de mensagens de força, e de ânimo. Agradeço-vos profundamente por cada uma delas, porque me ajudaram a olhar em frente sem desanimar nos momentos em que as coisas pareciam piorar um pouquinho mais. Desde as mensagens de amigos mais chegados, até aquelas de pessoas que não conheço, mas que por alguma razão souberam da minha situação e decidiram dar-me um pouco da sua força. Muito e muito obrigado. E a todas as igrejas, comunidades e grupos dos quais recebi relatos das suas orações por mim, muito obrigado!

Por último, posso dizer que me conheci a mim mesmo. Não sei porquê mas quando somos colocados perante uma situação destas a nossa cabeça dá muitas voltas. Estou certo de que algum propósito houve nisto, mas ainda estou a descobri-lo aos poucos. Apesar de ainda não conhecer esse propósito na totalidade, esta estada aqui deu-me a oportunidade de me conhecer melhor, de olhar para mim próprio e analisar-me naquilo que tenho sido, mais do que naquilo que tenho feito. E mais uma vez reparei que tenho deixado que o fazer se sobreponha ao ser. E senti uma chamada para ser mais verdadeiro. Não que seja mentiroso, mas no sentido da coerência, na medida em que devo ser o primeiro a ser, e não apenas o primeiro a fazer. Tenho de ir mais fundo nas minhas convicções. Tenho de ir mais fundo nas minhas motivações. Acima de tudo, tenho, eu e todos nós, de nos preocuparmos menos com o sentido estético do cristão e do cristianismo e mais com a clareza e objectividade da mensagem de Cristo. Daquele que era, que é que há-de vir. Daquele que ‘é o que é’.

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