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Verão Quente, Take 2

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É impossível resistir. Arredado da escrita sobre o mundo futebol, hoje não consigo fugir a escrever algumas linhas sobre o assunto do momento. Enquanto benfiquista (declaração de intenções) é difícil assimilar que aquele que nos habituámos a ver à frente da equipa, e com resultados brilhantes (últimos 2 anos, especialmente), troque isso por uma saída directa para o maior rival. Partindo da perspectiva dos envolvidos, directa ou indirectamente e terminando na minha própria leitura de tudo isto, eis o meu tiro no que toca à novela Jorge Jesus:

  • Benfica

Choque. Pelo que fui lendo, muitos benfiquistas antecipavam a saída de JJ. Eu próprio começava a ‘recear’ esse resultado. Creio é que ninguém o previu desta forma e para um rival (Porto ou Sporting). Posto isto, a esmagadora maioria das reacções, incluindo a do director de comunicação do Benfica (que pode ser lida na sua conta de twitter) é normal e compreensível. Começou por ser de incredulidade, e vai desaguando já nalguma resignação. Ver o mais titulado treinador da história do clube passar para o outro lado da 2ª Circular está a causar azia. Quem achar que isso é estranho revela entender muito pouco acerca do mundo futebol.

Quanto a Luís Filipe Vieira… joga aqui uma cartada de risco, reduzindo sobremaneira a margem para falhar. Entre outras coisas, creio que Vieira nunca esperou este desfecho (ida de JJ para o Sporting), e sempre esperou por uma de duas opções: que este optasse pelo estrangeiro (seria o óbvio, convenhamos); ou por uma renovação resignada. Digamos que tudo isto é arriscado para Vieira: ou confirma o crescimento da estrutura do clube, mostrando que o Benfica ganha com ou sem Jesus; ou arrisca-se a ficar para a História como o presidente que deixou fugir o melhor treinador dos últimos (largos) anos para o rival.

Assinale-se, no meio disto tudo, a extrema coerência que Vieira tem mantido (sem ironias): vem falando em baixar orçamento, reduzir custos e apostar na formação. Sai um treinador que não parecia muito disposto a isto, e provavelmente entra um cuja descrição que atrás deixei é também a descrição da sua carreira até ao momento. Veremos se há unhas ‘vitoriosas’ para uma tão difícil viola…

  • Sporting

Inesperado, no mínimo. Ainda ontem vi sportinguistas desconfiados da veracidade de uma informação que agora parece inevitável. A euforia generalizada com que a notícia foi recebida mostra o grau de ilusão que a nova época carregará para os lados de Alvalade.

Do ponto de vista desportivo, JJ é, sem dúvida, o melhor treinador disponível (exceptuando alguns nomes fora do alcance de qualquer clube português). Do ponto de vista psicológico, é uma enorme bicada no rival (a fazer lembrar o Verão Quente de ’93). Do ponto de vista financeiro é uma enorme jogada de risco e uma valente guinada naquilo que tem sido o discurso e até o trabalho de contenção que BdC tem assumido. E se, como se diz, o dinheiro vem de investimentos externo, não deixa de ser estranho vindo de quem tanto tem lutado contra fundos e a favor da transparência. Não vejo grande diferença entre uns e outros, mas quem está por dentro saberá melhor que eu, certamente.

A realidade é que o Sporting estará mais próximo de lutar pelo titulo nacional. Também é verdade que, sendo grande treinador, JJ não será capaz de milagres, até porque o problema do Sporting não têm sido os treinadores (Jardim e Marco são treinadores muito competentes). A acompanhar o investimento no treinador, a equipa necessitará também ela de investimento (como aconteceu no Benfica de JJ). Haverá € para isso? A que custo? Perda da maioria da SAD? Entrada massiva de capital externo? No plano desportivo, grande jogada de BdC. Resta perceber quais os contornos financeiros desta decisão.

Um pequeno parágrafo para a forma como Marco Silva está a ser tratado no meio de tudo isto. Contratar um treinador quando ainda há um em funções e com contrato é eticamente reprovável, seja aqui ou na Guiné Equatorial.

  • Jorge Jesus

Confesso que estou com dificuldade em entender o que vai na cabeça de JJ. Fala-se que terá prometido ao pai um desfecho destes, mas não deixa de ser uma decisão estranha do ponto de vista desportivo. Em primeiro lugar, JJ arrisca-se a condenar o lugar que já tinha (por mérito próprio) na história do Benfica. De treinador mais titulado a Judas, eis um caminho que para os adeptos encarnados será (se é que já não foi) facílimo de percorrer.

O que tem JJ a provar ainda? Que os últimos 6 anos de Benfica foram mais dele do que do clube? É legítimo querer fazê-lo, mas não deixa de ser uma facada nas costas de um clube (e de um presidente) que lhe deu todas as condições, mesmo depois daquele final da época 12/13, ou até mesmo da época desastrosa, perdida para Villas-Boas.

A ser verdade, fico com imensa curiosidade na forma como JJ vai abordar o projecto Sporting, que desde há 20 anos assenta na formação. Sendo público que se trata de um treinador pouco amigo dessa política, como se vai portar JJ nesse campo? O futuro o dirá. Para já, e com esta decisão, Jesus arrisca: o seu lugar na história do Benfica está, definitivamente, em jogo.

  • FCPorto

O Porto assiste a tudo isto de cadeirinha. O único clube que nada venceu nas últimas 2 épocas ganha a carta da estabilidade na época em que vê o seu domínio e hegemonia definitivamente colocados em causa pelo bicampeonato do Benfica. Depois de uma época em que o ‘all-in’ não redundou em resultados desportivos, e em que o desinvestimento deverá ser uma realidade, deve haver algum conforto por perceber que aquele que tem sido o principal rival está a perder um dos seus grandes trunfos. Acredito que no Dragão se esteja a assistir a isto tudo enquanto se degusta um belo balde de pipocas, a la Hollywood.

Falo agora enquanto benfiquista que sou. Estou com dificuldades em lidar com o assunto, confesso. Jorge Jesus foi o melhor treinador que vi no Benfica, e o Benfica de 09/10 e de 12/13 foi o melhor que pude ver jogar. Posto isto, tenho muita dificuldade que Jorge Jesus esteja a fazer isto a um clube e a um presidente que lhe deram todas as condições nos últimos 6 anos. A legitimidade para o fazer ninguém lha tira (acaba contrato no final do mês e é livre de assinar por quem quer que seja), e certamente terá as suas razões (afectivas, financeiras, etc), mas não deixa de ser estranho e até ter contornos de uma vingança que não me parece merecida para com o clube que o projectou.

Falemos agora do Benfica. Rui Vitória não me aquece muito. Sou pouco fã do que foi o Vitória (o clube) nestes anos, embora reconheça trabalho de grande qualidade feito pelo Vitória (o treinador) com os (poucos) recursos disponíveis. Tenho muitas dúvidas que esta ideia da formação dê para um Benfica vencedor no futebol actual. Se eu mandasse, era um all-in poderoso (sem vendas), com Marco Silva (primeira opção) ou Vítor Pereira no comando, mas isso não vai acontecer. Resta a dúvida: quanto valerá um Benfica com Vitória e sem Gaitán, Salvio (que só deve voltar lá para o Natal…) e Maxi (começo a ter dúvidas que fique)? O futuro o dirá. Já estive mais optimista. Mas como isto da bola é sempre mais emoção que cabeça, resta-me esperar que o Verão Quente de ’15 redunde num belo Maio de ’94, que por sinal é o primeiro campeonato conquistado pelo Benfica de que tenho memória. Em Maio voltamos a falar. Até lá, siga a silly season!

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Porque a minha vida também é Benfica

Não tenho por hábito escrever sobre futebol. O que é estranho, dado o gosto que tenho pela coisa. Aliás, no que toca a futebol, confesso-me ‘marcopauliano’, no sentido em que tenho dois amores: o próprio jogo (que é qualquer coisa de soberbo, aqui ou na conchichina) e o Benfica. O jogo em si desperta-me emoções, mesmo que se trate do Irão-Eslovénia, ou de um ‘excitante’ Ilhas Virgens-Aruba. O Benfica é um caso diferente. Por mais desiludido ou descrente que esteja, dou por mim, na rua, a puxar por um rapaz que esteja a jogar ao berlinde, ‘só’ porque ele tem vestida a camisola do Glorioso.

Pensei se deveria escrever hoje. Como disse anteriormente, opto por não escrever sobre futebol, tema apaixonante e fracturante (prefiro coisas mais calmas, como a religião…), e que já tem gente que chegue a escrever (e bem!) sobre ele. Ainda assim, acompanho a blogosfera, vivo a paixão, a emoção, vou ao Estádio quando tenho possibilidades disso (infelizmente, menos vezes do que gostaria), vibro com as vitórias, sofro com as derrotas. Já chorei, ri, já me deitei no chão em desespero, já saltei até não puder mais. Já chamei nomes ao árbitro e a jogadores adversários, já chamei nomes a jogadores do meu (sim, também é meu) Benfica. Já vi o Benfica a perder (muitas vezes), a ganhar (menos vezes), a conseguir resultados que ninguém esperava (para o bem e para o mal), e agora até já posso dizer que vi o Benfica numa final europeia (os meus 6 anos à data da última final não me permitem lembrar do jogo de ’90…).

Por tudo o que listei acima, digo com confiança que sou do Benfica. E com ainda mais confiança digo que sou cada vez mais do Benfica. ‘Doença’ benigna, paixão que o meu avô materno me deixou como herança, logo a mim, que nasci numa casa onde não se apreciava muito futebol. Lembrar-me da primeira recordação Benfiquista que tenho (o 1-3 em Highbury Park, que vi na casa do meu tio Paulo), lembrar-me do 3-6 em Alvalade (que vi na casa da minha madrinha, rodeado de sportinguistas…), lembrar-me do primeiro dia em que fui à Antiga Luz ver o Benfica (um 0-0 contra o Boavista, com 80 mil pessoas no Estádio e um ambiente que ainda hoje não consigo descrever), lembrar-me do sofri na temporada passada quando o fiscal de linha (que estava à minha frente, literalmente…) se ‘esqueceu’ de que tinha visto o Maicon em fora-de-jogo, e decide entregar o título aos srs de azul. Lembrar-me até do que me custou a dormir no sábado passado, ou da falta de força que senti ontem quando o Ivanovic fez ‘aquilo’. Lembrar-me de tudo é lembrar-me que sou do Benfica, não porque o Benfica ganha, mas porque o Benfica é o Benfica. E por mais que tente explicar isso a quem não é do Benfica ou não gosta de futebol, não o consigo. 

Ontem sofri mais uma vez. Já tinha sofrido no Sábado. Já tinha sofrido na segunda anterior. Mas, e quando o árbitro apitou, de uma coisa só me lembrei: sou do Benfica. E, como diz o hino, ‘isso me envaidece’. Não me interessa que perca nos descontos, seja goleado, goleie, ou até que ganhe a Liga dos Campeões. Sou do Benfica. E isso não depende dos estados de espírito, de alma, dos momentos, das vitórias ou das derrotas. Sou do Benfica. Isso não retira a lucidez para ver o que é feito de bom e de mau, os erros estratégicos, empresariais, ou até desportivos. Mas, no final das contas, sou do Benfica.

E porque sou um homem de fé, acredito piamente que aquilo que nos aconteceu este ano, ser-nos-à devolvido com juros. Se for para o ano, em pleno Estádio da Luz, com 65 mil gargantas em delírio, e mais uns quantos milhões do lado de fora do estádio, tanto melhor. E não sei se não vou começar a mexer os meus cordelinhos junta da Providência para que isso aconteça. Seria épico, e um prémio justo depois do sofrimento que este ano nos foi reservado.

Uma última palavra para os que me lêem e dizem que ‘a vida é mais do que futebol’. É-o, sem dúvida. Mas também é futebol. E é por isso que continuarei a alegrar-me com as vitórias, a chatear-me com as derrotas, e até reservo para mim o direito de chorar numa que seja mais dura de aceitar (como ontem). A minha vida não é futebol, é um facto, mas não deixo de ter um bom cantinho dela reservado para este fenómeno. Um cantinho onde mora essa paixão que o meu avô (saudades) me deixou. Obrigado avô. Obrigado Benfica.

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O Euro que não interessa – Sim, estou a falar do ‘Euro 2012’

Sim, porque o Euro que verdadeiramente interessa é aquele que circula (pouco, eu sei) nos nossos bolsos. Mas este é agradável porque nos traz um mês de circo mediático e nacionalismo bacoco e jogadores amuados e treinadores pegados à pancada (na comunicação social, claro) e as reportagens infindáveis sobre como se festejou o golo de Ronaldo (lido com acentuação no primeiro o, o que significa que Ronaldo se tornou Rónaldo) em Vila Real, em Freixo de Espada à Cinta e em Penedono. 

Ora falemos, então, de futebol, que foi a isso que me propus.

Confesso que as minhas expectativas não eram as melhores à entrada para este Euro 2012. As razões eram simples:

  1. Esta seleção, quando comparada com as de 2000, 2004, ou 2006, parece-me estar uns furos abaixo;
  2. Os resultados nos amigáveis imediatamente antes deixaram muito a desejar (empate Moldávia, derrota clara com a Turquia);
  3. O grupo onde estávamos inseridos, commumente denominado de ‘grupo da morte’, era bastante forte, especialmente Holanda e Alemanha;
  4. As ausências de Ricardo Carvalho, Danny e Bosingwa, especialmente a deste último;

Bom, a realidade é que Portugal já realizou 4 partidas, 3 delas em nível bastante bom (Dinamarca, Holanda e República Checa), uma delas razoável (Alemanha, apesar da derrota) e parece ser uma equipa em ascensão no torneio. Jogadores como Pepe, Coentrão e Moutinho têm estado em muito bom nível, sendo que Ronaldo, nos últimos dois jogos, tem sido imperial e capaz de levar a equipa às costas com o seu brilhantismo.

Mas nem tudo merece elogios. O discurso no final do jogo com a Holanda, ao jeito de ‘o mundo está contra nós’, além de patético (acredito que 9999999 portugueses estão com a seleção) é desnecessário e causa um ruído à volta da equipa que não tem utilidade nenhuma. Mas pronto, já sabemos que com Paulo Bento podemos, de quando em vez, contar com estas dissertações conspirativas.

Em relação ao torneio, dizer que Alemanha é, no meu entender a grande candidata. E a favor de Portugal, dizer que foi contra os portugueses que os alemães sentiram, de longe, maiores dificuldades, quer ofensiva, quer defensivamente. Logo de seguida colocaria Espanha e Portugal, que no meu entender estão em patamares semelhantes.

Desilusões foram, claramente, a Holanda (esperava muito mais, mesmo) e a Rússia (que era, a meu ver, uma das candidatas ao título).

Individualmente, creio que dificilmente fugirá a Ronaldo o título oficioso de jogador mais valioso do torneio. Iniesta e Gómez são outros candidatos, mas creio que a coisa penderá para o português, que tem sido, de facto, decisivo. Desapontamento grande foram as vedetas holandesas (Van Persie, Sneijder, Robben) e Ribéry (o francês tem estado muito aquém das expectativas, mas ainda está em prova).

Termino explicando o primeiro parágrafo. Eu gosto muito de futebol e não tenho o mínimo problema em admiti-lo. Mas há que saber exactamente colocar as coisas ao seu nível. É bom ver Portugal entre as 4 melhores equipas da Europa, mas a felicidade e a vida não se joga aqui. Futebol é um excelente ópio, com a vantagem de não causar grandes efeitos secundários (na realidade, causa os que descrevi no primeiro parágrafo, mas esses aguentamos nós bem), mas, tal como o ópio, disfarça problemas e não os resolve. É, por isso, altura de pedir àqueles que tão patriotas são nestes momentos, que o sejam também na sua vida diária, e defendam o seu país nas coisas mais simples de cada dia. Se isso acontecer, pode ser que daqui a uns tempos possamos estar no top 4 de algumas outras boas coisas deste continente.

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De cabeça erguida

Abro um parentesis para falar de um tema de que habitualmente não falo quando visto a personagem blogger, mas não resisto ao fazê-lo agora.

Importa fazer a declaração de intenções da praxe: sou benfiquista. Por vezes, um pouco doente confesso. Daqueles que não consegue estar sentada nos últimos 15 a 20 minutos de um jogo. Daqueles que anda nervoso todo o dia quando o Benfica tem um jogo importante. Por vezes, consigo disfarçar bem, confesso, e até dar a ideia de ser alguém ‘normal’, para quem o clube é ‘apenas’ um amor de circunstância, que me alegra quando ganha, mas ao qual eu não ligo quando perde. Nada disso. O meu benfiquismo, que orgulhosamente carrego por influência decisiva do meu avô, mexe comigo, e a tendência é para ‘piorar’. Sou cada vez mais benfiquista e sou-o com cada vez maior orgulho. Hoje foi apenas mais um capítulo nessa história.

Posto isto, falemos de hoje. Do futebol jogado. E nesse, fomos claramente melhores. Quer hoje, quer na primeira mão. Ficou claramente demonstrado que o Chelsea estava perfeitamente ao nosso alcance. E esta é a única coisa que me custa na eliminação. Caímos aos pés de uma equipa que não é, era ou será melhor nem maior que nós. Pode ter muitos mais €, mas no que toca a jogar à bola (coisa que importa, segundo dizem os especialistas, nesta coisa do futebol), foram bastante inferiores ao Benfica no conjunto dos 2 jogos.

Falemos da raça, do coração. Fomos enormes. Mesmo que não tivéssemos sido superiores no futebol, mereceríamos mais sorte pela entrega e raça demonstrada. E sim, isto também é Benfica. A camisola honrada, suada, rasgada. Demos tudo.

Falemos também dos factores externos. É penalti. Foi em Lisboa (mão de Terry na área), também foi o de Londres (Javi faz falta sobre Cole). Maxi viu bem o segundo amarelo (o primeiro foi por protestos, segundo dizem. Não sei o que um árbitro eslovaco entende vindo de um jogador uruguaio que nem parece ter feito grande alarido, mas enfim…). A dualidade de critérios hoje foi bruta e interferiu e muito. O Benfica em 11 faltas viu 7 amarelos e 1 vermelho. O Chelsea em 17 faltas viu 3 amarelos. Condicionou, e muito. Foi pena. Merecíamos mais isenção em ambos os jogos…

Falemos de Jesus. Do Jorge. Eu quero que fique. Lembro-me do Benfica de Quique. E de Camacho. E de Fernando Santos. 3º lugar no campeonato a vintes e tais pontos de distância. Lembro-me também de Koeman, que também chegou aos quartos com um plantel muito limitado, mas que nem luta deu pelo título. Lembro-me também de Trap e de um Benfica que beneficiou, e muito, da fraqueza de todos os oponentes para se sagrar campeão. Sim, gostaria muito que Jesus deixasse de inventar e de ser teimoso (Capdevilla a reserva? Como é possível?!?!). Mas é, de longe, o melhor treinador do Benfica desde Eriksson. E por isso, deve ficar.

Agora espero (eu e todos os benfiquistas) que tudo seja repetido na próxima segunda feira. A garra, a classe, a determinação, o querer, a atitude, o coração. A única coisa que não quero ver repetido é mesmo o resultado. Mas, mesmo que o seja, uma coisa eu sei. O benfiquismo que o meu avô orgulhosamente me ‘pegou’ continuará. A cada jogo. A cada golo. A cada remate ao ferro ou para fora. Nas vitórias e nas derrotas. Benfica SEMPRE!

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Costinha e o Sporting. Muita verdade e pouco bom senso

E volto a falar de futebol, que como sabem é um tema que me agrada, especialmente pelo gosto que tenho pela modalidade. E puxo o assunto para tecer algumas considerações sobre as tão divulgadas declarações de Costinha, sobre  momento do Sporting, mas acima de tudo, pela lição que talvez todos possamos tirar desta ‘brincadeira’ (desculpem, mas não há outro nome para isto…).

Ponto 1. Costinha disse a verdade. É demasiado evidente. O Sporting é um clube grande, com milhões de adeptos, com história, com mística, que passa por um momento delicado, mas que não vem de agora, vem já da segunda metade dos anos 80. Ou seja, é um clube que necessita de se reencontrar, e com rapidez. Voltando às declarações de Costinha. O homem tem razão. Liédson foi um negócio demasiado mau, Couceiro veio fazer ninguém sabe bem o quê, Paulo Sérgio é um homem só. Muita razão quando diz que o Sporting é ‘uma equipa de tostões a quem é pedido que ombreie com equipas de milhões (Porto e Benfica).’ Costinha disse aquilo que qualquer sportinguista diria numa conversa de café. E é exactamente aí que reside o problema…

Ponto 2. Costinha não é um adepto qualquer. É (ou era) director. Tomou parte nas tomadas de decisão. Não pode dar uma entrevista como se fosse um adepto de café, cujas palavras se apagam no tempo logo após serem proferidas. Não podia fazer o que fez, por um lado demarcando-se das decisões (também teve papel importante nas mesmas), e espingardando em todas as direcções. Se alguma coisa tem corrido mal, ele tem responsabilidades no facto e não se pode demarcar. Além disso, não pode esperar, depois de fazer as afirmações que fez, uma saída airosa. As declarações de Costinha são declarações de sangue. É a tentativa de assassinar definitivamente alguém da estrutura do Sporting. Quem? Não sabemos. Mas os próximos dias poderão dizê-lo…

Ponto 3. Falta bom senso no Sporting. Sim, falta. Dizem que Bettencourt assumiu uma postura de ‘não quero saber disto para nada’ desde que se demitiu. Dizem que a contratação de Couceiro foi para tirar poder a Costinha (de lembrar que quem quis tirar esses poderes foram os mesmos que lhos deram…). É um facto que os melhores jogadores do Sporting pediram para sair à uma, desde Moutinho a Liédson, e que os que ainda estão já terão feito esse pedido (Izmailov e Vukcevic, por exemplo). Demasiado estranho. As declarações de Costinha também são sintoma da falta de bom senso que reina em Alvalade. Num ambiente de bom senso e ponderação nada disto seria possível.

Ponto 4. Sim, a belenização (com todo o respeito que o Belém me merece…) do Sporting é possível. Basta que ninguém com bom senso, com capacidade, com sentido de verdade e realidade, tome conta do Sporting nas próxima eleições. Chegou a altura de compreender que talvez seja preciso lançar bases durante 4 ou 5 para poder ter o Sporting de volta. Bases apostando nos mais novos, na reestruturação do clube de uma ponta a outra. O Sporting bem precisa e o futebol português também.

E a lição que todos podemos tirar disto é simples. Verdade e bom senso nem sempre estão do mesmo lado da barricada. Muitas vezes a falta da segunda inquina a primeira. E ninguém quer ver a verdade inquinada…a não ser quem lucra com isso.

E sim, esta visão da crise leonina é produzida por quem a vê a partir do outro lado da 2ªCircular…

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Uma bandalheira necessária

Prometi a mim mesmo que tão depressa não voltava a escrever sobre futebol, mas a actual situação em torno do seleccionador nacional merece, por ser um tema que ultrapassa a esfera meramente futebolística, uma reflexão e umas ‘palavrinhas’ da minha parte. Portanto aqui vamos nós.

Antes de mais, dizer que a ideia de Madaíl em ir buscar Mourinho é qualquer coisa de genial. E não estou a brincar. Tem contras, como é óbvio (qual é a decisão que não tem contras no actual estado de coisas?), mas, a avançar, seria uma jogada de mestre: Mourinho treina a equipa em 2 jogos, galvaniza a equipa (que bem precisa) e o país (meio adormecido pelo mau começo da selecção e do Benfica, diga-se), convoca eleições para Novembro (após o duplo compromisso), retirando-se com uma jogada de mestre e deixando ao senhor que se segue a responsabilidade de escolher novo seleccionador (o que, convenhamos, é o correcto a fazer por parte de Madaíl, se considerarmos que ele não se recandidata, como me pareceu pelas palavras de ontem à chegada a Lisboa).

O problema número um não reside na qualidade da ideia, mas sim na exequibilidade da mesma. E se Mourinho, como parece que irá acontecer, não tiver carta branca para a selecção? O que faz Madaíl? Resigna-se e vai buscar Paulo Bento? E a ideia de deixar o seleccionador em aberto para o próximo presidente da FPF? Fica para trás? E Paulo Bento (ou outro qualquer…) arrisca-se a ser contratado como homem de Madaíl e ficar sem tapete depois das eleições? Muitas perguntas, quase nenhumas respostas. Mas vale a pena ir mais fundo, porque o problema não reside aqui…

Madaíl parece-me um homem sério. Quando pegou na FPF éramos um país que ia a fases finais de 20 em 20 anos, hoje somos uma selecção que não pode ficar de fora, pelo prestígio granjeado. Há 20 anos éramos país de selecções jovens, hoje temos uma equipa A que desde 2000 que está no topo do futebol mundial. Com alguns percalços, é certo (2002), mas esses quem não os tem? Apesar de tudo isto, parece-me mais ou menos óbvio que é necessário alguém de novo na FPF, para abanar um pouco todo o edifício. Talvez o problema maior sejam os vices e assistentes que acompanham Madaíl e cujas mentes estão ainda formatadas ao antigamente. Mas, a ser assim, a culpa não deixa de ser também de Madaíl, por não ter feito a revolução de mentalidades que era claramente necessária.

É necessário que a FPF fique entregue a alguém capaz, empático, forte nas decisões, com bons relacionamentos no mundo do futebol, mas que, de preferência, não esteja imiscuído nele até aos cabelos. Alguém externo, mas com ligações, um pouco à imagem do que foi Hermínio Loureiro. Acima de tudo, é necessário alguém que mude as mentalidade na FPF, que perceba que um trabalho nas selecções jovens dá resultados daqui a 10 anos e não hoje, que perceba que Portugal é uma selecção que tem de trabalhar nos seniores para ganhar, que perceba que é necessário sangue novo na estrutura federativa. Que perceba que é preciso um corte que não total, mas que, aproveitando o que de bom há, mude a mentalidade instalada de compadrio e decisão dependente de terceiros.

É esta a parte boa das derrotas. Se não existissem, fingíamos que tudo estava bem e daqui a 10 anos logo víamos. Assim, somos obrigados a olhar para a frente e acautelar e pensar o futuro do futebol nacional. Porque parece que há quem se esqueça que estamos perante um dos ‘produtos’ de maior qualidade que o nosso país oferece…

P.S. – De sublinhar a vergonhosa atitude de Laurentino Dias no processo Queiróz. De todos os intervenientes, foi o que mais contribui para o avolumar de uma situação que tinha a sua gravidade, é certo, mas que não justificava tudo o que foi dito e escrito. Se fosse um senhor com princípios e vergonha, o sr. Laurentino neste momento já estava numa fundação qualquer a trabalhar, ou seja, já se tinha demitido.

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A Paciência de Jesus aos Domingos, ou as Villas-Boas do Serginho?

Nota prévia: Há muito tempo que não escrevia sobre futebol por opção, mas não resisti ao início de época e ao debitar de algumas previsões (nada de oculto, amigos!) sobre como poderá ser esta época 2010/2011. A todos os que não gostarem de futebol, podem sempre visitar o resto do blog, que tem coisas bem mais interessantes (pelo menos assim espero!). A todos os que gostam de futebol, nada de se habituarem que a escrita ‘séria’ volta em breve…

Foi este o título mais original para o meu post de arranque de temporada, que este ano chega com algumas semanas de atraso fruto das férias imerecidas que gozei. Mas como gosto de misturar futebol com Zandinguismo (2 ciências do mais oculto que há), já nem conseguia dormir sem fazer as já clássicas previsões futebolísticas, que no ano transacto disseram coisas como ‘o Braga vai fazer um campeonato miserável’ (foi o que se viu), ou ‘os benfiquistas vão agradecer aos portistas terem desviado Falcão da Luz’ (também foi o que se viu…). Este ano tenho a sorte de já se terem passado 2 jornadas, e portanto não vou prever Robertadas nem vou dizer que o Braga entrará na Champions League. Já sabem que para previsões sérias contam comigo, agora coisas parvas como prever que o Benfica falha redondamente na contratação de um guarda-redes de 8,5 M€, ou que o Sinama-Pongolle vai marcar qualquer coisa entre 0 e 0 golos na época, ou que o Guarín é tanto jogador da bola como eu sou taxista, para isso não contam com a minha pessoa.

Posto isto, vamos às previsões infalíveis aqui do je

  • Benfica – Apesar do mau início, creio que o Benfica acabará por se endireitar, embora provavelmente não chegue ao título. Andará sempre lá por cima, embora as saídas de Ramires e Luisão tenham deixado um vazio difícil de preencher. Aposto também numa boa campanha na Champions (quartos-de-final) e num bom encaixe financeiro. No final e tudo, o Benfica terá andado sempre lá por cima, embora não acredite no Benfica campeão depois deste início de época…
  • Estrelas – Creio que as grandes figuras serão Coentrão, que dificilmente o Benfica conseguirá segurar, e Saviola, que apesar de um início menos bom, me parece poderá ser o abono de família lá para os lados da Luz.
  • Flops – Cardozo deverá andar longe do ano transacto, e juntar-se-à a Aimar numa época pouco positiva…de Roberto nem falo, tudo está dito!
  • Treinador – Jorge Jesus, depois deste início difícil, conseguirá recuperar algum do fulgor da temporada passada, mas em escala menor. Conseguirá certamente manter o respeito que granjeou na temporada passada.

  • Braga – Fiquei surpreendido com este início do Braga, especialmente na Champions. Poderá ser o augúrio de uma boa temporada, mas também poderá sobrecarregar o plantel de forma dramática em número de jogos nas pernas, o que, creio, acabará por ser fatal. Se conseguir gerir bem a equipa que tem, e não se deixar deslumbrar pela Champions, Domingos poderá levar este Braga longe na luta pelo título. Se não o conseguir fazer, terá pela frente uma época difícil, e poderá retornar ao seu lugar mais natural, o 4º.
  • Estrelas – Destaques este ano poderão ser o novo guarda-redes, Filipe, e o avançado Lima, juntamente com Rodriguez e Matheus;
  • Flops – Meyong será, talvez o grande flop do Braga este ano.
  • Treinador – Domingos poderá conseguir coisas boas, mas se ficar em 3º será já um excelente feito, a juntar à qualificação para a fase de grupos da Champions.

  • Porto – Talvez o mais bem colocado candidato à vitória no campeonato, fará também uma excelente época na Europa League. Villas-Boas terá, no entanto, dificuldades em manter o ritmo da equipa lá para meio da época, fruto do grande número de jogos e de alguma falta de soluções, excepção feita ao meio-campo. Sinceramente, e apesar do mesmo assumido benfiquismo, creio que será o Porto a reclamar de novo o título esta uma época, aproveitando e muito o começo titubeante do Benfica.
  • Estrelas – Falcão será, novamente, o grande destaque do Porto, juntamente com o meio-campo mais ofensivo (Micael, Belluschi, Moutinho).
  • Flops – Otamendi poderá ser o grande flop, tapado por 2 bons centrais, Rolando e Maicon. Rodriguez juntar-se-à a ele e deverá fazer a sua última época no Dragão.
  • Treinador – Villas-Boas, pela sua competência, deverá granjear grande respeito da massa associativa portista. Sinceramente, não deveremos ter Villas-Boas muito tempo no Dragão, embora ele não seja nenhum Mourinho…

  • Sporting – Temporada difícil para os lados de Alvalade, com um 3º lugar a ser, no meu entender, já um belo feito. Muitos jogadores sem qualidade de ‘grande’, algum dinheiro mal gasto, e as confusões, a continuarem, vão minar por completo o ambiente em Alvalade. Por isso, digo que o 3º será uma boa classificação:
  • Estrelas – Carriço e Djaló (este se tiver oportunidades) poderão explodir para a época da afirmação. Auguro saída para ambos no final da temporada.
  • Flops – Sinama continuará a arrastar-se, Evaldo não será o mesmo de Braga, e Zapater andará longe do 11…
  • Treinador – Vida difícil para Paulo Sérgio, se Costinha continuar como director do futebol. Enquanto JEB não conseguir acabar com a instabilidade e o constante ambiente de guerra, dificilmente alguém fará um grande trabalho em Alvalade…

Mas o futebol não são só as grandes, muitas outras coisas se passarão um pouco mais abaixo…

  • Europa – Aposto no Nacional para a Europa, com uma excelente temporada, mas Vitória e Marítimo também andarão lá perto. Talvez a Académica ou a Naval (uma das equipas sobre a qual tenho boas expectativas) também se possam intrometer na luta…
  • Descida – Portimonense é grande candidato. Beira-Mar também, mas tem bom treinador  (Leonardo Jardim) que pode ser grande mais-valia. Olhanense e Leiria (se continuar com toda esta instabilidade…) são também candidatos. Rio Ave e Paços deverão fazer épocas tranquilas, tal como o Setúbal de Manuel Fernandes.

Individualmente aposto nalguns nomes (para lá dos grandes, claro!) com ofiguras do campeonato…

  • Avançados – Previtali (Naval), Henrique (Setúbal) e Carlão (Leiria);
  • Médios – Mihelic (Nacional), Nuno Coelho (Académica) e Bruno Gama (Rio Ave);
  • Defesas – Addy (Académica), Collin (Setúbal) e Kanu (Beira-Mar)
  • Guarda-Redes – Rafael Bracalli (Nacional), Salin (Naval) e Mário Felgueiras (Rio Ave);

Terminada a minha veia de Zandinga, só espero que tudo isto possa correr bem e que no fim ganhe, de facto, o melhor!

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