Archive for category Política

Relvas foi-se.

Basta dar uma vista de olhos às reacções (especialmente às que ocorreram fora do âmbito político-partidário), para se perceber que a demissão de Miguel Relvas é uma boa notícia para o país. O alívio generalizado é apenas a prova final de que Miguel Relvas era um prego cravado demasiado fundo e há demasiado tempo neste Governo, e contribuiu muito para o seu desgaste e descredibilização.

Quase todos os Governos têm este fetiche inexplicável de chamar a si um representante da sabujice e da subida a pulso à custa de jogos e interesses político-partidários. Miguel Relvas era quem detinha essa pasta neste Governo (como já havia acontecido com alguns governos e, curiosamente, na mesma pasta). Saindo ele, resta-nos saber se teremos novo prémio dado a um dos ‘meninos’ das máquinas partidárias (Jorge Moreira da Silva, por exemplo), ou se definitivamente, teremos o advento da competência.  

Bem sei que a pasta em questão (assuntos parlamentares) não é uma pasta central da governação. Não lida directamente com as matérias mais sensíveis, e tem, por isso, um mais dependente de questões laterais à governação da pasta, e relativas ao Governo em geral, do que à governação da pasta propriamente dita. No entanto, e tendo em conta o historial da mesma, aguardo com expectativa quem a ocupará neste momento pós-Relvas. Como disse anteriormente, se a opção recair num dos ‘meninos’, temo que se repita a fórmula Relvas e tenhamos o maior dos sabujos à frente da pasta. Espero para ver, na expectativa de que a competência ainda valha alguma coisa neste país.

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Portugal escrito com C!

Este é o país onde conhecer alguém na Segurança Social é sinónimo de ver um assunto resolvido em tempo recorde, ou de diminuir em várias vezes o tempo de espera num atendimento ao publico. É também o país onde alegremente se faz a pergunta ‘quer factura’. E ainda mais impressionante é o facto de ser o país onde a nossa resposta é, tantas vezes, ‘não, não é necessário’.

Este é o país onde 25€ pagos à pessoa certa torna possível que um chaço velho passe alegremente na inspecção periódica obrigatória, mesmo que nao tenha um mínimo de condições para circular. É também o país onde um ‘conhecimento’ numa faculdade pública consegue colocar um aluno externo num curso onde não há vagas, ou onde um professor diz a um aluno, no final de um ano lectivo, já depois de ter distribuído as notas, ‘porque não me disse que éramos parentes?’ Também é neste rectângulo lindo plantado à beira-mar que todos conhecemos trabalhadores que exercem as suas funções ilegalmente, sem estarem colectados na Segurança Social. Deduzo que muitos deles daqui a alguns anos se queixem que trabalharam 40 anos e que recebem pensões baixíssimas, ou então serão os mesmos que se queixarão amanhã de não terem qualquer protecção social.

 Este é o país onde alguém que engana uma pessoa é um ladrão, vigarista e criminoso, mas onde alguém que engana o Estado (fugindo aos impostos, contribuindo para a economia paralela, entre outros exemplos) é, e passo a citar ‘um gajo esperto’. Este é o jardim onde ter um vizinho numa repartição de finanças, um familiar que trabalha num hospital, ou um amigo numa loja do cidadão garante um atendimento (isto para não falar noutros benefícios…) ‘ligeiramente’ mais rápido do que ao resto do comum dos mortais. 

Portugal é o país onde um concurso público para a admissão de alguém pode ser contornado por laços familiares que, obviamente falam mais alto. Um escândalo, gritam uns, excepto quando nos toca a nós o beneficio em causa.

Isto desculpa o desgoverno? Não. Mas explica-o. Digam o que disserem, os nossos governantes não são mais que o reflexo ampliado do país que temos.

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A sujidade nos aventais

Qualquer grupo de pessoas que prejudique o bem comum para se proteger a si e aos seus é condenável. Quando esse grupo o faz de forma constante, é imoral. Quando esse está cheio de gente influente, então temos um problema sério e necessitamos de solução.

Muitas vezes que a influência se mede pela capacidade decidir, de controlar, até de manipular algumas coisas. Pois eu digo que a verdadeira influência mede-se nisto: escolher quem influência. E a influência dos senhores de avental poderia resumir-se nesta frase: a influência é tão grande que a escolha de quem decide e influencia decisões passa por ali. Ora, quando esta á a equação, quem sofre é a maioria, que sendo maioria em número, é minoria em influência.

Isto é Portugal. E há um grupo em especial que exerce esta influência e poder decisório há décadas, sempre tendo mais em conta o interesse dos seus (este caso das escutas é apenas a prova última disso), do que o interesse público, que parecendo que não, ainda é uma das pedras da democracia. É isto mesmo: existem um belo grupo de pessoas que controla as decisões escolhendo os decisores. O que é o equivalente a escolher as regras do jogo. E quando quem escolhe as regras do jogo tem interesse em ganhá-lo, o resultado é fácil de adivinhar…

Historicamente, a maçonaria tem prestado alguns dos piores serviços ao resto do mundo que conhecemos. Não é de esperar muito mais de um grupo que se considera ‘iluminado’, o que, por defeito, acarreta consigo todo um pensamento e vivência construído na superioridade de uns em relação ao comum dos mortais. Em Portugal, arrisco-me a dizer que o avental é o grande responsável por termos desenvolvido um sistema tão injusto e viciado. Sim, o sistema foi e é desenhado por uma minoria, que teve em conta as necessidades de uma minoria (a mesma que o desenhou), para benefício de uma minoria (que, por coincidência, é a mesma minoria das duas anteriores).

E, quando fechar a loja, não haverá Mozart que os valha. A Justiça, um dia, há-de cair sobre as suas cabeças. E, para muitos deles, já será tarde demais. Esperemos é que não o seja para a maioria.

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Passos precisos

Nota: Talvez estejam à espera de uma análise tecnocrática (ou tecnocrítica…) das medidas ontem anunciadas. Se é essa a expectativa, desenganem-se. Este é um texto pessoal, de afirmação e compromisso com um país que é meu e do qual me recuso a desistir.

Será que não preferia que estas medidas todas que ontem conhecemos, mais umas quantas que nos últimos 14/16 meses têm sido tomadas, não fossem uma realidade? Será que não preferia que o défice fosse de 3 ou 4%, e não de 9 ou 10%? Será que não preferia que o Estado português não tivesse gasto o que tinha e o que não tinha nos últimos 20 anos? Será que não preferia que os últimos governantes tivessem conseguido pôr na ordem gente como Alberto João Jardim? Será que não preferia que os bancos tivessem emprestado menos do que emprestaram, mas antes que o tivessem feito com critério, sem promessas de crédito fácil? Será que não preferia que Portugal fosse um país onde se responsabilizassem criminalmente aqueles que nos conduziram a uma situação destas, quer na Administração Central, quer na local? Será que não preferia que palavras como supervisão, responsabilidade, critério, seriedade, igualdade, concorrência, transparência, prestação de contas (a verdadeira, não aquela a que assistimos habitualmente) e mérito fossem uma realidade no nosso país?

A resposta é óbvia: preferia. Mas agora sei uma coisa. Ou é isto, ou a bancarrota, o caos, o adeus ao Euro, o adeus à Europa, a impossibilidade e a incapacidade de honrar os compromissos do país. Quanto a vocês não sei, mas eu arregaço as minhas mangas e assumo a minha responsabilidade.

É duro? É difícil? É doloroso? Sem dúvida. Mas não tenho também dúvidas de que é essencial. E aquilo que é essencial não pode ser feito amanhã, ou para a semana. Tem de ser feito hoje. Tem de ser feito agora.

Amanhã teremos o povo (ou serão os sindicatos? Fica a dúvida…) na rua para protestar contra estas e outras medidas. Quanto a mim e à minha família, continuaremos a sair para a rua também. Mas fá-lo-emos para trabalhar, para estudar, para honrar todos os compromissos (sejam impostos, sejam contas mensais), para consumir apenas aquilo que a nossa bolsa pode alcançar. Continuaremos a viver a vida, mesmo quando o mês é demasiado grande para o ordenado que auferimos, fazendo escolhas diárias (a lancheira é o melhor amigo da carteira), e comprando não segundo o desejo, mas segundo a consciência daquilo que podemos, ou não, ter. Continuaremos a dar e a ser generosos com quem tem mais dificuldades. Continuaremos de coração aberto e disponível para receber da generosidade de outros. Continuaremos a fazer a nossa parte, na esperança de que todos (sim, os políticos também) façam a sua.

Por isso, não contem comigo, nem com a minha casa, para o peditório bota-abaixista. As minhas mangas estão arregaçadas, e as minhas escolhas estão feitas. Espero que as vossas também.

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O Rei da Madeira

E pronto. Ao contrário do que esperavam (inicialmente) e desejavam (quando perceberam que não iria acontecer o que esperavam…) a maioria dos comentadores iluminados que pululam de televisão em televisão, de rádio em rádio e de jornal em jornal, enganou-se: AJJ lá continuou o seu reinado. Dirão alguns que perdeu a ‘almofada’ das maiorias anteriores (o que é verdade), dirão outros que o importante foi garantido (vitória e maioria), mas a pergunta que fica sem resposta é simples? Quem vai ‘pagar’o já mítico e famoso ‘buraco madeirense’?

Façamos um ponto de situação, apoiado em 2 factos indesmentíveis: 1. A Madeira tem ‘obra’; 2. Na Madeira gastou-se excessivamente durante décadas. Pergunto-me se poderia haver uma sem a outra. Talvez pudesse, mas AJJ cometeu e parece que se prepara para continuar a cometer (pelo menos vontade não lhe falta) erros de palmatória, gastando o que tem e o que não tem…

De facto, as obras públicas na Madeira serviram, durante uma boa parte da última década do séc XX (falando na generalidade das obras, claro), para modernizar, melhorar as acessibilidades, diminuir as assimetrias entre o Funchal e o restante território. Mas houve uma altura em que o desvario entrou em força. Quando se continua a prosseguir com política de obras públicas como forma de manter os empregos existentes e fazer movimentar a economia local, então entramos num ciclo vicioso difícil de prolongar, e impossível de resolver em tempos de crise como estes. Foi o que aconteceu, com os ‘excelentes’ resultados que se conhecem.

E há vários culpados para o que aconteceu. Em primeiro lugar, Lisboa. Quem governou nos últimos anos não soube parar nem conter a orgia de gastos desproporcionados em que a Madeira foi fértil nos últimos 10 anos, pelo menos. Um corte de torneira e uma mão de ferro poderiam ter sido opções, mas deu jeito a toda a gente manter o sr. AJJ queitinho a um canto…como se isso fosse possível…

O segundo culpado é AJJ, ele próprio. Não duvido que tenha querido modernizar e equipar a Madeira, mas perdeu a cabeça e continuou a gastar mesmo quando já não tinha. A sua postura confrontacional para com o poder central ajudou-o nesse desiderato. Um homem que gastou desta forma e que, ainda assim, sempre se queixou que o dinheiro era sempre de menos, deixa-me preocupado. Duvido que haja sequer uma tentativa de mudança de política e comportamento, porque o delírio da obra e do betão em AJJ parece algo tão entranhado que é quase impossível de conter. A única esperança de contenção é a da imposição por Lisboa de medidas duras, capazes de refrear o ímpeto gastador de AJJ. Será isso possível? Os próximos meses irão dizê-lo…

Agora falta conhecer a verdadeira extensão das medidas que Lisboa irá impôr ao Funchal. Um ‘pequeno pormenor’ no meio disto tudo, mas que nos ajudará a perceber quem levará a melhor neste braço de ferro: se um AJJ habituado a negociações duras e a conseguir, habitualmente, tudo o que quer; ou se uma dupla Passos/Gaspar, noviça nestas andanças, mas em posição suficientemente dominante para impôr o que bem quiser ao dinossauro AJJ…

Confesso, gostava de ser mosca para assistir a estas negociações…

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Ainda bem que isto não acontece em Portugal

Não quero saber de nada! Demito-me das minhas responsabilidades, não ligo patavina ao que se passa, por favor não me chateiem! Eu só sei que me estão a ir ao bolso e já me retiraram os subsídios todos. É uma vergonha! Estou chateado porque o centro de emprego não me consegue arranjar trabalho e o Governo (esses malandros que não querem fazer nenhum e só querem poleiro!) me tirou o subsídio só porque eu não trabalho há 3 anos e faltei às últimas 15 entrevistas de trabalho.

A verdade é que já começo a ter dificuldades para pagar a água, o gás, a luz, a Tvcabo, a SportTv, os canais de cinema, a quota de sócio do SLB e o lugar anual. Até para ir 3 semanas de férias para o Algarve este ano já foi um caso sério…não pode ser! Estes gajos não me podem tirar os direitos que um gajo adquiriu! Foram muitos anos a trabalhar naquela fábrica para agora me obrigarem a isto. Já me bastava ter ficado sem o trabalho na empresa, sem poder trazer para casa o papel higiénico lá que a D.Guida das limpezas me dava, ou as folhas A4 para a impressora, ou os clips que me davam jeito para arquivar as coisas cá de casa. Já me bastava isso, e agora ainda ter de aturar estes gajos a cortarem nos meus benefícios…cambada de #&/”#”$”$%!!!!!!!

Afinal eles são todos iguais, quando se apanham no poleiro fazem sempre o mesmo, é sempre a meter para o bolso! Não querem saber daqueles desgraçados como eu que se fartam de trabalhar a fazer biscates…qualquer dia ainda me obrigam a declarar os biscates que faço, queres ver? Será que mereço isto?!?!? Logo eu, que sempre paguei todos os impostos a tempo e horas! Não é justo! Estes gajos são uns #”$%”” que só pensam no bem deles e esquecem-se aqui do povinho, pá!

Bom, e agora lá tenho de ir ali buscar o carro ao mecânico, que já está pronto. Ele vai perguntar se eu quero factura, mas eu digo-lhe que nem pensar, a vida já está demasiado cara, e assim sempre poupo uns trocos. Sempre que me perguntam digo que não quero factura, assim como assim, sempre sai mais barato, não é? E toda a gente faz isso, por isso não faz grande diferença no fim de contas…a vida não está fácil e a malta tem de se arranjar, certo?

Não quero saber! Eles que se arranjem e acabem lá com o défice e os buracos, que foi para isso que eu votei neles. Cortem lá o que há para cortar, que eu qualquer dia até a SportTv tenho de tirar e quem sabe até acabar com os pequenos-almoços fora de casa. São sacrifícios que se têm de fazer…comigo é que não contam para apertar mais o cinto e caneco! Eles que apertem e despeçam lá os motoristas e os assessores…aliás, o Governo devia era ter 20 ou 30 pessoas que chegava e sobrava, não era precisa aquela parafernália toda de gente, que o nosso país até é pequenino! É uma vergonha…

Por aqui me fico, mas fica registada a minha indignação. Isto não pode continuar assim, estes gajos têm de dar a volta a isto! Façam alguma coisa, malandros!

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Esburacados

É como nós estamos. Seja em Lisboa, seja no Funchal, as notícias dão-nos conta de buracos e mais buracos, os quais, infelizmente é impossível de encher com terra. Dinheiro é a matéria única que se pede para tapar todo o resultado de anos, décadas, de desvario que nos trouxeram até aqui.

Falemos em primeiro lugar do que existe e do passado. Porque não levamos os condutores que nos meteram, sucessivamente, por atalhos e mais atalhos, ao lugar onde merecem estar? Porque não accionamos judicialmente aqueles que, de forma lesiva, têm conduzido os nossos destinos, sabe-se lá a mando de que interesses? E é isto que ainda me confunde mais: como é possível que nos mantenhamos impávidos, serenos perante o que se passa? Não precisamos de ir para a rua por causa dos aumentos dos preços, ou dos cortes nisto e naquilo, como sugere a prodigiosa esquerda que nos governou de forma praticamente ininterrupta nos últimos 15 anos. Precisamos de ir para a rua mostrar aos que nos trouxeram até aqui que não esquecemos, e que queremos saber o que se passou. E queremos também mostrar aos que lá estão que não serão toleradas mais coisas deste calibre. Acabemos com a fantochada de vez, chamando à responsabilidade quem a a teve e nos trouxe aqui.

E isto leva-nos ao segundo ponto. Os cortes e os aumentos. Isto mostra o porquê de, infelizmente, serem necessários. Revoltarmo-nos contra estas medidas, (por mais duras que seja, que o são!), seria o mesmo que o doente se revoltar com o médico ou o medicamento que o pode curar da doença. Custa? Muito! Vai ser doloroso? Se vai. Mas é também absolutamente indispensável! A realidade é simples: somem-se os erros estruturais, as tentativas de relançar a economia baseadas num Estado-monstro, os interesses corporativos mantidos ininterruptamente por anos e anos, um povo que tem preferido a irresponsabilidade da promessa vã à responsabilidade da verdade nua e crua, polvilhe-se ainda com umas megalomanias aqui e ali. Et voilá, temos aqui a receita ‘belíssima’ que nos trouxe aqui.

Buracos como este não se resolvem em 3 dias. Por isso, não se exija agora a quem lá está há 80 dias que faça o que em 30 anos não se fez. Sejamos exigentes, sim, mas também razoáveis. E bem atentos! Nada como saber pelos nossos próprios olhos e ouvidos, analisando pessoalmente o que se passa. Porque se comprarmos apenas o que a Comunicação Social nos vende…bom, aí estaremos tramados!

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