Archive for category Sem categoria (esmagadora maioria dos artigos? Você escolhe…)

O alvo, a flecha e o atirador

A vida é assim mesmo. Encontrarmo-nos e desencontrarmo-nos. Achar que ‘estamos lá’, cairmos em nós mesmos e ver que afinal estamos, longe, longe, longe. Fazer pontaria a um alvo e perceber, no exacto momento antes de disparar a flecha, que estamos a apontar para o alvo errado. A vida é muito isto. E quem ousar dizer o contrário… pois bem, possivelmente ainda não viveu a vida na sua plenitude. 

A realidade é vivemos a nossa vida a achar que nos conhecemos profundamente, que sabemos em exatidão quem somos. Talvez poucas coisas estejam mais erradas que esta. Sim, conhecemos alguns padrões de resposta a muitos dos desafios que nos são colocados no dia a dia, mas a crua verdade é que viveremos sempre na descoberta de quem somos verdadeiramente, onde nos encaixamos, onde está a nossa identidade. E agora pergunto: quem disse que isso é uma má noticia? A vida é muito mais do que o simples acto de escolher um alvo, um objectivo, e atirar a ele, e é também muito mais do que a certeza de quem somos. Ou melhor, de quem achamos ser.

A grandeza do ser humano conta-se nisto: uma busca incessante, não raras vezes esmagadora, de quem sou, da minha identidade. E aquilo a que muitas vezes chamamos epifania, nada mais é que o choque frontal com a realidade que já conhecemos na essência. Verdadeiramente, a nossa essência sabe quem somos, mas o nosso intelecto e a nossa razão não o sabem.

Resta-nos a esperança, a expectativa, de um dia sabermos exactamente quem somos. Chamem-me negativista, mas creio que esse dia terreno nunca chegará para nenhum de nós. Porque não é suposto que esse dia venha alguma vez a acontecer. A vida não trata de conhecermos quem somos na plenitude, mas sim daquilo que vamos conhecendo de nós mesmos no intervalo de tempo que separa o dia do nosso nascimento do dia da nossa morte. Ao contrário do que muitas vezes achamos, o mais importante não é o alvo, nem o atirador, nem o mecanismo de propulsão da flecha, nem a própria flecha. O importante, o desafiante, o incrivelmente difícil, mas também inacreditavelmente recompensador, é todo o caminho que faremos desde o momento em que somos lançados, até ao momento em que batemos no alvo. E se é verdade que a maioria de nós tem já uma boa parte dessa trajectória feita, também o é o facto de que ainda todos vamos a tempo de desfrutar de tudo o que nos falta percorrer até ao famoso alvo.

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Mínimos Olímpicos

Na vida, como no desporto, uma coisa é cumprirmos os mínimos olímpicos, outra coisa é ganharmos medalhas. Muitas vezes andamos uma vida inteira a cumprir mínimos olímpicos e achamos que já somos uns campeões.‘, by Gualter Pereira (@gualterpereira)

Isto é uma verdade tão grande que merece post.

Tenham uma óptima sexta!

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Mário Soares e o elogio da loucura

Longe de mim querer impor qualquer tipo de limitação ao pensamento ou à liberdade de opinião do Dr.Mário Soares. Mas as palavras que hoje pude ler, vindas do sr. FMI, parecem mais adequadas a uma outra esquerda, que não a que o ex-presidente representa.

Talvez aproveitando o balanço da vitória de Hollande (que, ao contrário do que faz parecer algum histerismo da esquerda por essa europa fora, não é uma figura assim tão à esquerda…), Mário Soares vem pedir o ‘rasgar’ do acordo com a Troika. Ora, já tínhamos visto algumas figuras do PS a pedir a adaptação, o prolongamento dos prazos, ou até algumas mexidas no memorando, mas creio que é a primeira vez que vemos uma figura tão proeminente do partido a defender a renúncia ao acordo da Troika. Mais uma vez ressalvo a ironia de ter sido o Dr. Mário Soares a proferir uma frase destas.

Escolhi o ‘elogio da loucura’ para adjectivar esta entrevista do ex-PR. Mas não o fiz devido a discordar da opinião do ex-PR. O choque, pelo menos o meu, advém da surrealidade das declarações, vindas daquele que foi o responsável pelas duas anteriores chamadas do FMI ao nosso país. Melhor que ninguém, o Dr Mário Soares deveria perceber que criticar o Governo e as suas opções é uma coisa, apelar ao renunciar do memorando é outra. Até compreenderia que pedisse alguns ajustes, mas nunca a renúncia ao acordo.

Fico triste pelo facto de um antigo PR pretender contribuir mais para o acicatar dos ânimos, do que para uma discussão clara e concreta das políticas actuais e das suas alternativas. Parece-me mais ou menos claro que o apetite de Mário Soares pelo soundbite se sobrepôs às ideias e à discussão das coisas que realmente importam. O problema é que, para isso, já nos bastam os políticos actuais…

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Volto em breve

Passo para vos pedir que não se assustem nem se espantem com a minha ausência. Ela é fruto de uma aventura musical que deve ter o seu epílogo (pelo que me toca) lá para fim do mês. Até lá, com o cérebro quase frito, mas com o coração realizado, deixo-vos um abraço apertado e a promessa que estarei de volta logo que consiga escrever 3 ou 4 linhas sem que isso me custe horas de sono.

Até lá, sejam felizes!

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A estranha ‘coisa’ a que o Sol chama jornalismo…

Inenarrável. Inacreditável. Impensável. Quando achávamos que já havíamos visto tudo em ‘jornalismo’, eis que o Sol nos ‘brinda’a alegremente com uma primeira página à qual me faltam faltam palavras para descrever convenientemente. Eis o motivo da polémica..

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Será isto jornalismo? Será que isto configura um caso jornalismo de investigação, ou um de um mero pasquim/tablóide de terceira categoria? A mim cheira-me a um director cheio de vontade que se fale do jornal, nem que seja pelas piores razões. Se era a sua intenção, conseguiu-o. Mas um jornal que decide brindar os seus leitores com uma primeira página onde jaz morta, numa berma de estrada, uma vítima de homicídio, achando que assim chama a atenção para o ‘fantástico’ trabalho de investigação levado a cabo, merece um único desfecho: o fecho de portas!

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2011? Venha ele!

Tem sido uma época festiva muito atarefada, o que quase me impedia de passar por aqui e deixar alguns desejos para o ano que aí vem. Mas parece que ainda cheguei a tempo! Portanto, arregaço a ponta da caneta (ou neste caso, dos dedos no teclado!) e vamos a isto…

Na realidade, o que hoje teremos é apenas a passagem de ano. Num minuto, a única coisa que muda é que deixamos de estar em 2010 e passamos a estar em 2011. Não é isso que vai determinar se a nossa vida vai ou não entrar nos eixos, ou se é finalmente agora que começamos a dieta. Espero que, acima de tudo, seja um ano em que cada um de nós seja capaz de tomar decisões que nos levem mais à frente, que nos ajudem a crescer e a construir um melhor amanhã.

Sabemos de antemão que 2011 será um ano difícil. Cabe-nos agora a nós fazer do difícil uma oportunidade de construir bases para um futuro sólido, mais responsável, deixando uma herança às gerações vindouras. Ambiente, finanças e educação devem ser prioridades. Zelar pela primeira, controlar a segunda e fortalecer a terceira são coisas de que os nossos filhos necessitam para que lhes possamos dar um país melhor.

A todos os que me lêem, um 2011 extraordinário. Que os maiores desafios se traduzam nas maiores vitórias. Que as maiores frustrações se traduzam nas maiores acções. Que o melhor de cada um venha ao de cima, que as montanhas sejam ultrapassadas, que haja coragem, que haja honestidade. Que cada um possa fazer deste ano uma oportunidade com 365 dias. A começar já amanhã…

Um abraço

Ruben Barradas

 

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Este sebastianismo que nos consome…

Mourinho, Bento e Madaíl. Não, não vou falar sobre futebol. O primeiro era a salvação, o segundo era o ‘mais-que-anunciado’, o terceiro é o ‘finjo-que-me-vou-embora-ou-se-calhar-até-vou-mas-finjo-que-fico’. E vou debruçar-me sobre esta questão por uma razão principal: o problema que se passa na selecção/FPF é a analogia mais que perfeita ao estado do país…

As coisas não nos correm bem. Tenta-se de tudo, parece que nada resulta. As tácticas e técnicas sucedem-se, os falhanços também. Achamos que somos melhores do que na realidade somos, e colocamos expectativas irreais. A incompetência está à vista de quem a quiser ver, mas parece que todos fecham os olhos à sua passagem. Eis senão quando, acontece um fait-divers qualquer e ‘aqui d’El Rey’ que estamos todos ofendidos, e ‘lá vai disto’, tudo para o ‘olho da rua’. Opções? Poucas e nenhuma é ‘aquela’. Acabamos por nos resignar ao pequeno campo de escolha que nos impõem. ‘Vá, venha lá esse então…’, exclamamos, resignados…

E é aqui que aparece a chamada possibilidade D.Sebastião (mas que raio de síndrome histórico haveríamos de desenvolver…). O povo exalta-se, a nação rejubila e esfrega os olhos, tentando acreditar na salvação iminente e mágica de todos os problemas. Alguém assume a figura de resgatador de D.Sebastião e faz a viagem até Alcácer-Quibir. pelo meio surgem complicações, trapalhadas, e acaba por não haver D-Sebastião para ninguém. Lá nos resignamos outra vez à solução de recurso e cruzamos os braços numa de ‘deixa lá ver o que isto vai dar’.

Termina a histeria, começa a vida real. Os problemas mantêm-se e quando é preciso arregaçar as mangas, há sempre um problema qualquer. Gera-se uma espécie de consenso silencioso, porque todos têm medo de dizer que apoiaram a solução, por há hipótese de aquilo correr mal e aí fica bem dizer ‘eu nunca apoiei/acreditei nisto. Aliás, eu até fui contra! Só não viu quem não quis!’ E assim, andamos…resolver problemas? Para quê? Ajudar a resolvê-los? E correr o risco de ficar ‘queimado’? Nem pensar!

E andamos, qual país aqui enfiado nesta esperança sebastianista, à espera que um qualquer escolhido nos tire do poço. Enquanto não nos lembrarmos que a bicicleta foi feita para pedalar, mesmo nas subidas, nada feito. E continuamos a teimar que a nós só nos cabe pedalar mas descidas…pudera! É ligeiramente mais fácil…

Já que falei no assunto, deixo aqui a minha opinião. Concordava com Mourinho, desde que Madaíl não se recandidatasse (como parece que vai acontecer…), deixando a escolha do seleccionador para o senhor que viesse a seguir. Concordo com Madaíl, já que não razão nenhuma para que se recandidate, e existem todas para que não o faça. Concordo com Paulo Bento, quer dê certo, quer dê errado. É disciplinador, numa altura em que falta disciplina, é directo e claro, numa altura em que falta frontalidade dentro da FPF. É um homem que oferece o corpo às balas, numa altura em que tudo sacode a água do capote. Talvez não seja ‘o homem’, mas poderá vir a desempenhar um papel importante na viragem necessária.

P.S. – Apesar de tudo, em quantas actividades podemos nos vangloriar de estar no ‘top 10’ mundial? Dá que pensar, não dá?

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