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O momento é sério (mas a campanha não)

E parece que ainda ninguém se mentalizou disso o suficiente para parar de brincar aos países e aos políticos. São não-sei-quantos-mil-milhões para aqui, mais umas dezenas de milhares de ‘trocos’ para ali, são as tricas e os disparates, a falta de lucidez e a jogada rasteira, tudo reina mas a verdadeira intenção de esclarecer as pessoas.

O que descrevo neste último parágrafo teve o seu expoente máximo no debate Portas-Sócrates a que ontem assisti. O momento da pasta vazia. Um excelente fait-divers feito por um mestre do marketing político, que mais parece preocupado com estas coisas do que com explicar como vai, depois de ter duplicado a dívida pública em míseros seis anos, tirar o país desta situação, caso vença as eleições. O entretanto famoso ‘Luís’ fez bem o seu trabalho, de um PM que deixa o país em posição de pré-bancarrota já não poderemos afirmar o mesmo.

E o problema reside no seguinte: há volta disto tudo parece ser confusão. Temos o maior partido da oposição que claramente tem dificuldades em fazer passar a mensagem de forma séria e credível, fruto de meia-dúzia de tiros nos pés que abriram caminho à delapidação do capital de confiança que Pedro Passos Coelho poderia ter granjeado. Em vez de se concentrar em propostas, perdeu-se nas questiúnculas laterais deste processo e deixou-se enredar na armadilha, indo atrás da politiquice, sem que nada tivesse ganho com isso.

Algumas coisas estranhas desta eleição: alguém conseguiu passara a ideia de que ‘estes ou outros, tantos faz! Eles são todos iguais’, ideia essa que é a antítese da democracia, que se baseia e muito na renovação dos políticos e, se o povo assim o entender, das cores políticas. Mais: alguém conseguiu passar a ideia de que mudar de governo agora será uma aventura pela qual poderíamos vir a pagar caro no futuro. Caros amigos, nós já estamos a pagar e muito caro o aventureirismo que nos lançou numa crise profunda.

E depois de tudo isto há o povo português. O mesmo que diz que sim, que o governo tem de fazer cortes, que o Estado não pode gastar tanto, mas que se revolta sempre que há indícios de corte em alguma coisa. O mesmo povo que veio para a rua em Março, mas que se prepara para ficar tranquilo na sua casa em Junho. O mesmo povo que deveria exigir que houvesse seriedade, verdadeira discussão e propostas de um lado e de outro, castigando aqueles que nada têm proposto até agora.

Da esquerda à direita. De Louçã a Portas e de Sócrates a Passos Coelho. A verdade em vez da demagogia. A discussão no lugar do fait-divers. Está na hora de alguém assumir essa responsabilidade. Sem isso, duvido que consigamos sair desta cepa torta em que nos metemos. O momento é sério. Sejamos sérios nós também…

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