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Verão Quente, Take 2

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É impossível resistir. Arredado da escrita sobre o mundo futebol, hoje não consigo fugir a escrever algumas linhas sobre o assunto do momento. Enquanto benfiquista (declaração de intenções) é difícil assimilar que aquele que nos habituámos a ver à frente da equipa, e com resultados brilhantes (últimos 2 anos, especialmente), troque isso por uma saída directa para o maior rival. Partindo da perspectiva dos envolvidos, directa ou indirectamente e terminando na minha própria leitura de tudo isto, eis o meu tiro no que toca à novela Jorge Jesus:

  • Benfica

Choque. Pelo que fui lendo, muitos benfiquistas antecipavam a saída de JJ. Eu próprio começava a ‘recear’ esse resultado. Creio é que ninguém o previu desta forma e para um rival (Porto ou Sporting). Posto isto, a esmagadora maioria das reacções, incluindo a do director de comunicação do Benfica (que pode ser lida na sua conta de twitter) é normal e compreensível. Começou por ser de incredulidade, e vai desaguando já nalguma resignação. Ver o mais titulado treinador da história do clube passar para o outro lado da 2ª Circular está a causar azia. Quem achar que isso é estranho revela entender muito pouco acerca do mundo futebol.

Quanto a Luís Filipe Vieira… joga aqui uma cartada de risco, reduzindo sobremaneira a margem para falhar. Entre outras coisas, creio que Vieira nunca esperou este desfecho (ida de JJ para o Sporting), e sempre esperou por uma de duas opções: que este optasse pelo estrangeiro (seria o óbvio, convenhamos); ou por uma renovação resignada. Digamos que tudo isto é arriscado para Vieira: ou confirma o crescimento da estrutura do clube, mostrando que o Benfica ganha com ou sem Jesus; ou arrisca-se a ficar para a História como o presidente que deixou fugir o melhor treinador dos últimos (largos) anos para o rival.

Assinale-se, no meio disto tudo, a extrema coerência que Vieira tem mantido (sem ironias): vem falando em baixar orçamento, reduzir custos e apostar na formação. Sai um treinador que não parecia muito disposto a isto, e provavelmente entra um cuja descrição que atrás deixei é também a descrição da sua carreira até ao momento. Veremos se há unhas ‘vitoriosas’ para uma tão difícil viola…

  • Sporting

Inesperado, no mínimo. Ainda ontem vi sportinguistas desconfiados da veracidade de uma informação que agora parece inevitável. A euforia generalizada com que a notícia foi recebida mostra o grau de ilusão que a nova época carregará para os lados de Alvalade.

Do ponto de vista desportivo, JJ é, sem dúvida, o melhor treinador disponível (exceptuando alguns nomes fora do alcance de qualquer clube português). Do ponto de vista psicológico, é uma enorme bicada no rival (a fazer lembrar o Verão Quente de ’93). Do ponto de vista financeiro é uma enorme jogada de risco e uma valente guinada naquilo que tem sido o discurso e até o trabalho de contenção que BdC tem assumido. E se, como se diz, o dinheiro vem de investimentos externo, não deixa de ser estranho vindo de quem tanto tem lutado contra fundos e a favor da transparência. Não vejo grande diferença entre uns e outros, mas quem está por dentro saberá melhor que eu, certamente.

A realidade é que o Sporting estará mais próximo de lutar pelo titulo nacional. Também é verdade que, sendo grande treinador, JJ não será capaz de milagres, até porque o problema do Sporting não têm sido os treinadores (Jardim e Marco são treinadores muito competentes). A acompanhar o investimento no treinador, a equipa necessitará também ela de investimento (como aconteceu no Benfica de JJ). Haverá € para isso? A que custo? Perda da maioria da SAD? Entrada massiva de capital externo? No plano desportivo, grande jogada de BdC. Resta perceber quais os contornos financeiros desta decisão.

Um pequeno parágrafo para a forma como Marco Silva está a ser tratado no meio de tudo isto. Contratar um treinador quando ainda há um em funções e com contrato é eticamente reprovável, seja aqui ou na Guiné Equatorial.

  • Jorge Jesus

Confesso que estou com dificuldade em entender o que vai na cabeça de JJ. Fala-se que terá prometido ao pai um desfecho destes, mas não deixa de ser uma decisão estranha do ponto de vista desportivo. Em primeiro lugar, JJ arrisca-se a condenar o lugar que já tinha (por mérito próprio) na história do Benfica. De treinador mais titulado a Judas, eis um caminho que para os adeptos encarnados será (se é que já não foi) facílimo de percorrer.

O que tem JJ a provar ainda? Que os últimos 6 anos de Benfica foram mais dele do que do clube? É legítimo querer fazê-lo, mas não deixa de ser uma facada nas costas de um clube (e de um presidente) que lhe deu todas as condições, mesmo depois daquele final da época 12/13, ou até mesmo da época desastrosa, perdida para Villas-Boas.

A ser verdade, fico com imensa curiosidade na forma como JJ vai abordar o projecto Sporting, que desde há 20 anos assenta na formação. Sendo público que se trata de um treinador pouco amigo dessa política, como se vai portar JJ nesse campo? O futuro o dirá. Para já, e com esta decisão, Jesus arrisca: o seu lugar na história do Benfica está, definitivamente, em jogo.

  • FCPorto

O Porto assiste a tudo isto de cadeirinha. O único clube que nada venceu nas últimas 2 épocas ganha a carta da estabilidade na época em que vê o seu domínio e hegemonia definitivamente colocados em causa pelo bicampeonato do Benfica. Depois de uma época em que o ‘all-in’ não redundou em resultados desportivos, e em que o desinvestimento deverá ser uma realidade, deve haver algum conforto por perceber que aquele que tem sido o principal rival está a perder um dos seus grandes trunfos. Acredito que no Dragão se esteja a assistir a isto tudo enquanto se degusta um belo balde de pipocas, a la Hollywood.

Falo agora enquanto benfiquista que sou. Estou com dificuldades em lidar com o assunto, confesso. Jorge Jesus foi o melhor treinador que vi no Benfica, e o Benfica de 09/10 e de 12/13 foi o melhor que pude ver jogar. Posto isto, tenho muita dificuldade que Jorge Jesus esteja a fazer isto a um clube e a um presidente que lhe deram todas as condições nos últimos 6 anos. A legitimidade para o fazer ninguém lha tira (acaba contrato no final do mês e é livre de assinar por quem quer que seja), e certamente terá as suas razões (afectivas, financeiras, etc), mas não deixa de ser estranho e até ter contornos de uma vingança que não me parece merecida para com o clube que o projectou.

Falemos agora do Benfica. Rui Vitória não me aquece muito. Sou pouco fã do que foi o Vitória (o clube) nestes anos, embora reconheça trabalho de grande qualidade feito pelo Vitória (o treinador) com os (poucos) recursos disponíveis. Tenho muitas dúvidas que esta ideia da formação dê para um Benfica vencedor no futebol actual. Se eu mandasse, era um all-in poderoso (sem vendas), com Marco Silva (primeira opção) ou Vítor Pereira no comando, mas isso não vai acontecer. Resta a dúvida: quanto valerá um Benfica com Vitória e sem Gaitán, Salvio (que só deve voltar lá para o Natal…) e Maxi (começo a ter dúvidas que fique)? O futuro o dirá. Já estive mais optimista. Mas como isto da bola é sempre mais emoção que cabeça, resta-me esperar que o Verão Quente de ’15 redunde num belo Maio de ’94, que por sinal é o primeiro campeonato conquistado pelo Benfica de que tenho memória. Em Maio voltamos a falar. Até lá, siga a silly season!

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Porque a minha vida também é Benfica

Não tenho por hábito escrever sobre futebol. O que é estranho, dado o gosto que tenho pela coisa. Aliás, no que toca a futebol, confesso-me ‘marcopauliano’, no sentido em que tenho dois amores: o próprio jogo (que é qualquer coisa de soberbo, aqui ou na conchichina) e o Benfica. O jogo em si desperta-me emoções, mesmo que se trate do Irão-Eslovénia, ou de um ‘excitante’ Ilhas Virgens-Aruba. O Benfica é um caso diferente. Por mais desiludido ou descrente que esteja, dou por mim, na rua, a puxar por um rapaz que esteja a jogar ao berlinde, ‘só’ porque ele tem vestida a camisola do Glorioso.

Pensei se deveria escrever hoje. Como disse anteriormente, opto por não escrever sobre futebol, tema apaixonante e fracturante (prefiro coisas mais calmas, como a religião…), e que já tem gente que chegue a escrever (e bem!) sobre ele. Ainda assim, acompanho a blogosfera, vivo a paixão, a emoção, vou ao Estádio quando tenho possibilidades disso (infelizmente, menos vezes do que gostaria), vibro com as vitórias, sofro com as derrotas. Já chorei, ri, já me deitei no chão em desespero, já saltei até não puder mais. Já chamei nomes ao árbitro e a jogadores adversários, já chamei nomes a jogadores do meu (sim, também é meu) Benfica. Já vi o Benfica a perder (muitas vezes), a ganhar (menos vezes), a conseguir resultados que ninguém esperava (para o bem e para o mal), e agora até já posso dizer que vi o Benfica numa final europeia (os meus 6 anos à data da última final não me permitem lembrar do jogo de ’90…).

Por tudo o que listei acima, digo com confiança que sou do Benfica. E com ainda mais confiança digo que sou cada vez mais do Benfica. ‘Doença’ benigna, paixão que o meu avô materno me deixou como herança, logo a mim, que nasci numa casa onde não se apreciava muito futebol. Lembrar-me da primeira recordação Benfiquista que tenho (o 1-3 em Highbury Park, que vi na casa do meu tio Paulo), lembrar-me do 3-6 em Alvalade (que vi na casa da minha madrinha, rodeado de sportinguistas…), lembrar-me do primeiro dia em que fui à Antiga Luz ver o Benfica (um 0-0 contra o Boavista, com 80 mil pessoas no Estádio e um ambiente que ainda hoje não consigo descrever), lembrar-me do sofri na temporada passada quando o fiscal de linha (que estava à minha frente, literalmente…) se ‘esqueceu’ de que tinha visto o Maicon em fora-de-jogo, e decide entregar o título aos srs de azul. Lembrar-me até do que me custou a dormir no sábado passado, ou da falta de força que senti ontem quando o Ivanovic fez ‘aquilo’. Lembrar-me de tudo é lembrar-me que sou do Benfica, não porque o Benfica ganha, mas porque o Benfica é o Benfica. E por mais que tente explicar isso a quem não é do Benfica ou não gosta de futebol, não o consigo. 

Ontem sofri mais uma vez. Já tinha sofrido no Sábado. Já tinha sofrido na segunda anterior. Mas, e quando o árbitro apitou, de uma coisa só me lembrei: sou do Benfica. E, como diz o hino, ‘isso me envaidece’. Não me interessa que perca nos descontos, seja goleado, goleie, ou até que ganhe a Liga dos Campeões. Sou do Benfica. E isso não depende dos estados de espírito, de alma, dos momentos, das vitórias ou das derrotas. Sou do Benfica. Isso não retira a lucidez para ver o que é feito de bom e de mau, os erros estratégicos, empresariais, ou até desportivos. Mas, no final das contas, sou do Benfica.

E porque sou um homem de fé, acredito piamente que aquilo que nos aconteceu este ano, ser-nos-à devolvido com juros. Se for para o ano, em pleno Estádio da Luz, com 65 mil gargantas em delírio, e mais uns quantos milhões do lado de fora do estádio, tanto melhor. E não sei se não vou começar a mexer os meus cordelinhos junta da Providência para que isso aconteça. Seria épico, e um prémio justo depois do sofrimento que este ano nos foi reservado.

Uma última palavra para os que me lêem e dizem que ‘a vida é mais do que futebol’. É-o, sem dúvida. Mas também é futebol. E é por isso que continuarei a alegrar-me com as vitórias, a chatear-me com as derrotas, e até reservo para mim o direito de chorar numa que seja mais dura de aceitar (como ontem). A minha vida não é futebol, é um facto, mas não deixo de ter um bom cantinho dela reservado para este fenómeno. Um cantinho onde mora essa paixão que o meu avô (saudades) me deixou. Obrigado avô. Obrigado Benfica.

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De cabeça erguida

Abro um parentesis para falar de um tema de que habitualmente não falo quando visto a personagem blogger, mas não resisto ao fazê-lo agora.

Importa fazer a declaração de intenções da praxe: sou benfiquista. Por vezes, um pouco doente confesso. Daqueles que não consegue estar sentada nos últimos 15 a 20 minutos de um jogo. Daqueles que anda nervoso todo o dia quando o Benfica tem um jogo importante. Por vezes, consigo disfarçar bem, confesso, e até dar a ideia de ser alguém ‘normal’, para quem o clube é ‘apenas’ um amor de circunstância, que me alegra quando ganha, mas ao qual eu não ligo quando perde. Nada disso. O meu benfiquismo, que orgulhosamente carrego por influência decisiva do meu avô, mexe comigo, e a tendência é para ‘piorar’. Sou cada vez mais benfiquista e sou-o com cada vez maior orgulho. Hoje foi apenas mais um capítulo nessa história.

Posto isto, falemos de hoje. Do futebol jogado. E nesse, fomos claramente melhores. Quer hoje, quer na primeira mão. Ficou claramente demonstrado que o Chelsea estava perfeitamente ao nosso alcance. E esta é a única coisa que me custa na eliminação. Caímos aos pés de uma equipa que não é, era ou será melhor nem maior que nós. Pode ter muitos mais €, mas no que toca a jogar à bola (coisa que importa, segundo dizem os especialistas, nesta coisa do futebol), foram bastante inferiores ao Benfica no conjunto dos 2 jogos.

Falemos da raça, do coração. Fomos enormes. Mesmo que não tivéssemos sido superiores no futebol, mereceríamos mais sorte pela entrega e raça demonstrada. E sim, isto também é Benfica. A camisola honrada, suada, rasgada. Demos tudo.

Falemos também dos factores externos. É penalti. Foi em Lisboa (mão de Terry na área), também foi o de Londres (Javi faz falta sobre Cole). Maxi viu bem o segundo amarelo (o primeiro foi por protestos, segundo dizem. Não sei o que um árbitro eslovaco entende vindo de um jogador uruguaio que nem parece ter feito grande alarido, mas enfim…). A dualidade de critérios hoje foi bruta e interferiu e muito. O Benfica em 11 faltas viu 7 amarelos e 1 vermelho. O Chelsea em 17 faltas viu 3 amarelos. Condicionou, e muito. Foi pena. Merecíamos mais isenção em ambos os jogos…

Falemos de Jesus. Do Jorge. Eu quero que fique. Lembro-me do Benfica de Quique. E de Camacho. E de Fernando Santos. 3º lugar no campeonato a vintes e tais pontos de distância. Lembro-me também de Koeman, que também chegou aos quartos com um plantel muito limitado, mas que nem luta deu pelo título. Lembro-me também de Trap e de um Benfica que beneficiou, e muito, da fraqueza de todos os oponentes para se sagrar campeão. Sim, gostaria muito que Jesus deixasse de inventar e de ser teimoso (Capdevilla a reserva? Como é possível?!?!). Mas é, de longe, o melhor treinador do Benfica desde Eriksson. E por isso, deve ficar.

Agora espero (eu e todos os benfiquistas) que tudo seja repetido na próxima segunda feira. A garra, a classe, a determinação, o querer, a atitude, o coração. A única coisa que não quero ver repetido é mesmo o resultado. Mas, mesmo que o seja, uma coisa eu sei. O benfiquismo que o meu avô orgulhosamente me ‘pegou’ continuará. A cada jogo. A cada golo. A cada remate ao ferro ou para fora. Nas vitórias e nas derrotas. Benfica SEMPRE!

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