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Relvas foi-se.

Basta dar uma vista de olhos às reacções (especialmente às que ocorreram fora do âmbito político-partidário), para se perceber que a demissão de Miguel Relvas é uma boa notícia para o país. O alívio generalizado é apenas a prova final de que Miguel Relvas era um prego cravado demasiado fundo e há demasiado tempo neste Governo, e contribuiu muito para o seu desgaste e descredibilização.

Quase todos os Governos têm este fetiche inexplicável de chamar a si um representante da sabujice e da subida a pulso à custa de jogos e interesses político-partidários. Miguel Relvas era quem detinha essa pasta neste Governo (como já havia acontecido com alguns governos e, curiosamente, na mesma pasta). Saindo ele, resta-nos saber se teremos novo prémio dado a um dos ‘meninos’ das máquinas partidárias (Jorge Moreira da Silva, por exemplo), ou se definitivamente, teremos o advento da competência.  

Bem sei que a pasta em questão (assuntos parlamentares) não é uma pasta central da governação. Não lida directamente com as matérias mais sensíveis, e tem, por isso, um mais dependente de questões laterais à governação da pasta, e relativas ao Governo em geral, do que à governação da pasta propriamente dita. No entanto, e tendo em conta o historial da mesma, aguardo com expectativa quem a ocupará neste momento pós-Relvas. Como disse anteriormente, se a opção recair num dos ‘meninos’, temo que se repita a fórmula Relvas e tenhamos o maior dos sabujos à frente da pasta. Espero para ver, na expectativa de que a competência ainda valha alguma coisa neste país.

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O Rei da Madeira

E pronto. Ao contrário do que esperavam (inicialmente) e desejavam (quando perceberam que não iria acontecer o que esperavam…) a maioria dos comentadores iluminados que pululam de televisão em televisão, de rádio em rádio e de jornal em jornal, enganou-se: AJJ lá continuou o seu reinado. Dirão alguns que perdeu a ‘almofada’ das maiorias anteriores (o que é verdade), dirão outros que o importante foi garantido (vitória e maioria), mas a pergunta que fica sem resposta é simples? Quem vai ‘pagar’o já mítico e famoso ‘buraco madeirense’?

Façamos um ponto de situação, apoiado em 2 factos indesmentíveis: 1. A Madeira tem ‘obra’; 2. Na Madeira gastou-se excessivamente durante décadas. Pergunto-me se poderia haver uma sem a outra. Talvez pudesse, mas AJJ cometeu e parece que se prepara para continuar a cometer (pelo menos vontade não lhe falta) erros de palmatória, gastando o que tem e o que não tem…

De facto, as obras públicas na Madeira serviram, durante uma boa parte da última década do séc XX (falando na generalidade das obras, claro), para modernizar, melhorar as acessibilidades, diminuir as assimetrias entre o Funchal e o restante território. Mas houve uma altura em que o desvario entrou em força. Quando se continua a prosseguir com política de obras públicas como forma de manter os empregos existentes e fazer movimentar a economia local, então entramos num ciclo vicioso difícil de prolongar, e impossível de resolver em tempos de crise como estes. Foi o que aconteceu, com os ‘excelentes’ resultados que se conhecem.

E há vários culpados para o que aconteceu. Em primeiro lugar, Lisboa. Quem governou nos últimos anos não soube parar nem conter a orgia de gastos desproporcionados em que a Madeira foi fértil nos últimos 10 anos, pelo menos. Um corte de torneira e uma mão de ferro poderiam ter sido opções, mas deu jeito a toda a gente manter o sr. AJJ queitinho a um canto…como se isso fosse possível…

O segundo culpado é AJJ, ele próprio. Não duvido que tenha querido modernizar e equipar a Madeira, mas perdeu a cabeça e continuou a gastar mesmo quando já não tinha. A sua postura confrontacional para com o poder central ajudou-o nesse desiderato. Um homem que gastou desta forma e que, ainda assim, sempre se queixou que o dinheiro era sempre de menos, deixa-me preocupado. Duvido que haja sequer uma tentativa de mudança de política e comportamento, porque o delírio da obra e do betão em AJJ parece algo tão entranhado que é quase impossível de conter. A única esperança de contenção é a da imposição por Lisboa de medidas duras, capazes de refrear o ímpeto gastador de AJJ. Será isso possível? Os próximos meses irão dizê-lo…

Agora falta conhecer a verdadeira extensão das medidas que Lisboa irá impôr ao Funchal. Um ‘pequeno pormenor’ no meio disto tudo, mas que nos ajudará a perceber quem levará a melhor neste braço de ferro: se um AJJ habituado a negociações duras e a conseguir, habitualmente, tudo o que quer; ou se uma dupla Passos/Gaspar, noviça nestas andanças, mas em posição suficientemente dominante para impôr o que bem quiser ao dinossauro AJJ…

Confesso, gostava de ser mosca para assistir a estas negociações…

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O momento é sério (mas a campanha não)

E parece que ainda ninguém se mentalizou disso o suficiente para parar de brincar aos países e aos políticos. São não-sei-quantos-mil-milhões para aqui, mais umas dezenas de milhares de ‘trocos’ para ali, são as tricas e os disparates, a falta de lucidez e a jogada rasteira, tudo reina mas a verdadeira intenção de esclarecer as pessoas.

O que descrevo neste último parágrafo teve o seu expoente máximo no debate Portas-Sócrates a que ontem assisti. O momento da pasta vazia. Um excelente fait-divers feito por um mestre do marketing político, que mais parece preocupado com estas coisas do que com explicar como vai, depois de ter duplicado a dívida pública em míseros seis anos, tirar o país desta situação, caso vença as eleições. O entretanto famoso ‘Luís’ fez bem o seu trabalho, de um PM que deixa o país em posição de pré-bancarrota já não poderemos afirmar o mesmo.

E o problema reside no seguinte: há volta disto tudo parece ser confusão. Temos o maior partido da oposição que claramente tem dificuldades em fazer passar a mensagem de forma séria e credível, fruto de meia-dúzia de tiros nos pés que abriram caminho à delapidação do capital de confiança que Pedro Passos Coelho poderia ter granjeado. Em vez de se concentrar em propostas, perdeu-se nas questiúnculas laterais deste processo e deixou-se enredar na armadilha, indo atrás da politiquice, sem que nada tivesse ganho com isso.

Algumas coisas estranhas desta eleição: alguém conseguiu passara a ideia de que ‘estes ou outros, tantos faz! Eles são todos iguais’, ideia essa que é a antítese da democracia, que se baseia e muito na renovação dos políticos e, se o povo assim o entender, das cores políticas. Mais: alguém conseguiu passar a ideia de que mudar de governo agora será uma aventura pela qual poderíamos vir a pagar caro no futuro. Caros amigos, nós já estamos a pagar e muito caro o aventureirismo que nos lançou numa crise profunda.

E depois de tudo isto há o povo português. O mesmo que diz que sim, que o governo tem de fazer cortes, que o Estado não pode gastar tanto, mas que se revolta sempre que há indícios de corte em alguma coisa. O mesmo povo que veio para a rua em Março, mas que se prepara para ficar tranquilo na sua casa em Junho. O mesmo povo que deveria exigir que houvesse seriedade, verdadeira discussão e propostas de um lado e de outro, castigando aqueles que nada têm proposto até agora.

Da esquerda à direita. De Louçã a Portas e de Sócrates a Passos Coelho. A verdade em vez da demagogia. A discussão no lugar do fait-divers. Está na hora de alguém assumir essa responsabilidade. Sem isso, duvido que consigamos sair desta cepa torta em que nos metemos. O momento é sério. Sejamos sérios nós também…

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