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Ainda a propósito do Pingo Doce

Surge este fim-de-semana a notícia de que os funcionários do Pingo Doce serão remunerados a 500% pelo seu trabalho no 1º de Maio. E que ainda lhes dá a possibilidade de fazerem as suas compras, em paz e em sossego durante esta semana que hoje começa. A fonte é esta, mas confesso que também tenho as minhas fontes em casa…

Deixemos de lado por breves instantes os imperativos ideológicos. Acredito que o dinheiro extra e a possibilidade de fazer compras com este desconto (que muitos, por estarem a trabalhar no dia 1, não puderam desfrutar) é uma excelente notícia para muitos funcionários do PD, como seria para 99% dos portugueses. E esta é a parte em que todos estamos de acordo, certo? Ora, como os consensos nunca geram nada neste país, passemos já para os argumentos sanguinários…

A carga idelógica da escolha do dia por parte da Jerónimo Martins é óbvia e inegável. Eu, pessoalmente, nada tenho contra se ter escolhido o dia 1º de Maio. É claro que, sabendo que para aqueles cujo pensamento ideológico se situa mais à esquerda, o dia do trabalhador assume um cariz quase religioso (não é piada, apenas constatação de facto), parece-me normal que essa escolha tenha gerado frisson (desculpem o estrangeirismo, mas disseram-me que era chique. Aliás, chic!) O certo é que a JM conseguiu, entre outras coisas, reduzir a residuais os números de adesão à greve marcada para esse dia, e ter as lojas a funcionar em pleno. E conseguiu também passar a ideia de que os funcionários que trabalharam nesse dia o fizeram de livre vontade. É claro que muitos falam em pressões. O certo é que não vi nem ouvi uma única (sim, nem uma!) queixa por parte de um funcionário. Aliás, alguém dizia, e bem, no FB durante esse dia, que todos se queixam do patrão JM, excepto aqueles que são trabalhadores da JM. Estranho? Um pouco. De dizer que isto de ter uma boa imprensa também é coisa que ajuda. Isso explica que, em média os funcionários da JM sejam bem melhor remunerados que os da Sonae, mas que não o saibamos sem uma pesquisa própria (e longa!).

Voltemos à carga idelógica. O 1ºMaio também foi marketing sim. Poderia ter sido feito num qualquer Domingo, ou num feriado que não este. Mas a carga de ser 1ºMaio também foi parte do circo. E foi isto que poucos perceberam quando atacaram a JM. Ao fazerem-no, participaram no circo, adicionaram partidários à ideia dos donos do Pingo Doce (o povo desenvolve essa estranha teoria de ficar do lado de quem lhe acabou de proporcionar 50% de desconto em compras). Ao colocarem no mesmo saco o desconto (50%) e o simbolismo (1º Maio), aqueles que criticaram apenas contribuiram para que a maior parte das pessoas ficasse ao lado de quem lhes proporcionou o desconto. É que 50% dão para muito coisa, ao passo que o simbolismo, ao que parece, não alimenta ninguém.

O que me pareceu o erro crasso de quem criticou, especialmente à esquerda, mas não só, foi o de ter criticado o dia, o desconto, a falta de civilidade e tudo o que lhe apareceu à frente. Não perceberam que ao fazê-lo, apenas acicataram os srs da Jerónimo Martins a repetir a gracinha e fizeram as pessoas ficar ao lado de quem lhes deu 50% de desconto, de quem lhe proporcionou pagar 60€ em vez de 120€.

E para finalizar, digo que apesar de não ter nada contra a escolha do dia (como já disse anteriormente), reconheço que se poderia ter escolhido outro, apenas devido à carga simbólica e histórica que o mesmo tem para certos sectores da sociedade. Masa minha crítica fica por aí. De resto, tomara à minha e a muitas casas por esse país fora poderem fazer mais vezes compras e pagar apenas 50% do valor.Imagem

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Pingo Doce Madness

Dumping, escravatura, falta de civismo, aproveitamento do feriado. Digam o que disserem mas esta ideia dos senhores da Jerónimo Martins roça o brilhante. Mas isso é um somenos…

Como declaração de intenções, aviso desde já que a minha esposa trabalha no grupo, pelo que tenho uma visão privilegiada do que lá se passa. E é por isso que digo que gostaria que houvesse mais empresas neste país com o espírito e o cuidado da Jerónimo Martins. No dia de hoje, muitas famílias aproveitaram para fazer compras e poupar uma boa quantidade de dinheiro. Mas mais importante do que isso é saber que a empresa que levou a cabo isto paga salários a tempo e horas a milhares de trabalhadores, o que, por consequência, alimenta milhares de famílias por esse país fora, é o maior empregador da área retalhista em Portugal, oferece boas condições de trabalho aos seus empregados, bons incentivos (prémios) mesmo em altura de crise, além de muitos outros apoios que aqui não posso nem consigo enumerar. Uma empresa que, para compensar o dia de trabalho de hoje, ofereceu aos funcionários um dia extra de folga/férias. Escravatura, portanto. 

Eu sei que muitos continuarão a criticar e a menosprezar. Mas deixem-me dizer-vos que uma empresa que, directa e indirectamente, gera milhares de postos de trabalho, que paga milhares de milhões de € em impostos (sim, porque continuam a pagar a maioria desses impostos em Portugal, apesar da suposta fuga para a Holanda), só merece o meu respeito.

Quem critica? Só espero que consigam gerar 0,1% da riqueza que estes senhores conseguem. Portugal seria um país bem melhor…

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