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Uma bandalheira necessária

Prometi a mim mesmo que tão depressa não voltava a escrever sobre futebol, mas a actual situação em torno do seleccionador nacional merece, por ser um tema que ultrapassa a esfera meramente futebolística, uma reflexão e umas ‘palavrinhas’ da minha parte. Portanto aqui vamos nós.

Antes de mais, dizer que a ideia de Madaíl em ir buscar Mourinho é qualquer coisa de genial. E não estou a brincar. Tem contras, como é óbvio (qual é a decisão que não tem contras no actual estado de coisas?), mas, a avançar, seria uma jogada de mestre: Mourinho treina a equipa em 2 jogos, galvaniza a equipa (que bem precisa) e o país (meio adormecido pelo mau começo da selecção e do Benfica, diga-se), convoca eleições para Novembro (após o duplo compromisso), retirando-se com uma jogada de mestre e deixando ao senhor que se segue a responsabilidade de escolher novo seleccionador (o que, convenhamos, é o correcto a fazer por parte de Madaíl, se considerarmos que ele não se recandidata, como me pareceu pelas palavras de ontem à chegada a Lisboa).

O problema número um não reside na qualidade da ideia, mas sim na exequibilidade da mesma. E se Mourinho, como parece que irá acontecer, não tiver carta branca para a selecção? O que faz Madaíl? Resigna-se e vai buscar Paulo Bento? E a ideia de deixar o seleccionador em aberto para o próximo presidente da FPF? Fica para trás? E Paulo Bento (ou outro qualquer…) arrisca-se a ser contratado como homem de Madaíl e ficar sem tapete depois das eleições? Muitas perguntas, quase nenhumas respostas. Mas vale a pena ir mais fundo, porque o problema não reside aqui…

Madaíl parece-me um homem sério. Quando pegou na FPF éramos um país que ia a fases finais de 20 em 20 anos, hoje somos uma selecção que não pode ficar de fora, pelo prestígio granjeado. Há 20 anos éramos país de selecções jovens, hoje temos uma equipa A que desde 2000 que está no topo do futebol mundial. Com alguns percalços, é certo (2002), mas esses quem não os tem? Apesar de tudo isto, parece-me mais ou menos óbvio que é necessário alguém de novo na FPF, para abanar um pouco todo o edifício. Talvez o problema maior sejam os vices e assistentes que acompanham Madaíl e cujas mentes estão ainda formatadas ao antigamente. Mas, a ser assim, a culpa não deixa de ser também de Madaíl, por não ter feito a revolução de mentalidades que era claramente necessária.

É necessário que a FPF fique entregue a alguém capaz, empático, forte nas decisões, com bons relacionamentos no mundo do futebol, mas que, de preferência, não esteja imiscuído nele até aos cabelos. Alguém externo, mas com ligações, um pouco à imagem do que foi Hermínio Loureiro. Acima de tudo, é necessário alguém que mude as mentalidade na FPF, que perceba que um trabalho nas selecções jovens dá resultados daqui a 10 anos e não hoje, que perceba que Portugal é uma selecção que tem de trabalhar nos seniores para ganhar, que perceba que é necessário sangue novo na estrutura federativa. Que perceba que é preciso um corte que não total, mas que, aproveitando o que de bom há, mude a mentalidade instalada de compadrio e decisão dependente de terceiros.

É esta a parte boa das derrotas. Se não existissem, fingíamos que tudo estava bem e daqui a 10 anos logo víamos. Assim, somos obrigados a olhar para a frente e acautelar e pensar o futuro do futebol nacional. Porque parece que há quem se esqueça que estamos perante um dos ‘produtos’ de maior qualidade que o nosso país oferece…

P.S. – De sublinhar a vergonhosa atitude de Laurentino Dias no processo Queiróz. De todos os intervenientes, foi o que mais contribui para o avolumar de uma situação que tinha a sua gravidade, é certo, mas que não justificava tudo o que foi dito e escrito. Se fosse um senhor com princípios e vergonha, o sr. Laurentino neste momento já estava numa fundação qualquer a trabalhar, ou seja, já se tinha demitido.

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Desilusão Mundial

Conciso e directo. Cumprimos os serviços mínimos. E nada mais. Nem brilhantismo, nem mobilização da nação, nem excepcional superação dos jogadores. Empate com Costa do Marfim e Brasil, vitória a Coreia do Norte (o que era ‘obrigatório’), e derrota com Espanha, ou seja, apenas ganhámos aos ‘menos fortes’ de todos os adversários que defrontámos. Contra quem estava ao nosso nível não conseguimos mais que empates a 0. Parece-me pouco. Mas vamos por partes.

O mundial não está a ser excitante, longe disso. Uma Alemanha que vai roçando o brilhante, uma Argentina que se vai valendo de ter 500 soluções no ataque, um Brasil chato e sensaborão, uma Holanda assim-assim, e pouco mais. Portugal sai deste mundial sem chama nem glória. Ninguém se lembrará de nada da nossa selecção, e é isso que me preocupa. Não fizemos nada que possa vir a ser lembrado, até porque depois dos 7 à Coreia, nos limitamos a 3 zeros contra os restantes adversários, o que é muito pouco para uma equipa que nos habituou a ver o jogo pela positiva (ataque) e a querer vencer o jogo desde o primeiro minuto (o que acontecia na era Scolari…). Desta vez fomos brindados com uma equipa defensiva, sem soluções atacantes, remetida à sua defesa em grande parte do tempo. Era necessário ter sido assim? Não, não era, pelo menos em todo o tempo. Eu sei que a Espanha e o Brasil são-nos superiores (só não vê quem não quer), mas jogar à equipa pequena, naquela táctica de ‘tudo à defesa e depois logo se vê se salta um coelho da cartola’ dificilmente produziria outro resultado. A derrota de ontem foi um bom exemplo. Portugal preparou bem o jogo, e excepção feita aos primeiros 10m, controlámos a Espanha com inteligência. Até àquela substituição do Hugo Almeida. Ao tirar o único ponta-de-lança, Queiróz cometeu dois erros, um táctico, e outro de mensagem. O erro táctico não sou competente para o discutir, mas parece-me óbvio pelo resultado que se seguiu. Mas o erro na mensagem foi o pior. Ao tirar o único ponta-de-lança, passou à sua equipa uma ideia defensiva que não se justificava na altura, e deu aos espanhóis a mensagem de que seriam eles a ter de assumir o jogo, e que nós lá estariamos na expectativa…

E Ronaldo? Vejo-o quase todas as semanas no Real e não parece o mesmo. Explicações? Joga mais atrás do que no clube (devido à táctica portuguesa), a atitude individualista é um facto, e parece-me que o vedetismo atinge na selecção proporções inimagináveis. Quatro jogos e zero Ronaldo foi o resultado CR deste mundial. E se Queiróz tivesse tido a coragem de o substituir? Faltou coragem? Sim, faltou. Mas faltou, acima de tudo, humildade e brilhantismo de Ronaldo.

E Queiróz? Excessivamente defensivo desde o dia da convocatória. Muitos defesas e poucos atacantes. Ontem, de ataque, só tínhamos Liédson no banco…pouco, muito pouco. A convocatória anunciava uma equipa defensiva, de contenção, sem brilhantismo, mas com trabalho. Com Queiróz, a selecção vestiu o fato-macaco, mas despiu o smoking. Ganhou sentido colectivo (excepto Ronaldo), mas perdeu o brilhantismo que a caracteriza. Ganhou segurança defensiva, mas perdeu qualidade atacante. Esperemos que mude no próximo Euro, mas sinceramente, duvido. Queiróz é assim, defensivo, pouco dado a riscos, pouco interessado em assumir o jogo. Não creio que historicamente sejamos capazes de jogar assim. Fomos feitos para jogar para a frente, não em contenção, e sempre que o fizemos não tivemos sucesso. Esperemos que isto mude, e que da próxima, Queiróz nos leve à glória…

Uma palavra a Eduardo. Ganhou o lugar e é o guarda-redes de Portugal, sem dúvida. Excelente mundial, excelente atitude e dignidade na hora de sair. Temos guarda-redes até 2014/2016. Outra a Coentrão. Extraordinário, o melhor atacante português (o que, tendo em conta que foi o lateral-esquerdo, mostra o nível do ataque português…), tirou todas as dúvidas e devorou a clubite de alguns que o desprezavam enquanto defesa-esquerdo. Juntamente com Eduardo, o melhor português. Também palavra a Deco. Despediu-se da selecção com uma teimosia do sr. Queiróz, sem glória nem brilho. Durante 7 anos foi um dos abonos de família da selecção e teve sempre uma atitude digna, mesmo depois de um ou outro exagero. Merecia um final mais bonito. E agora quem o substitui? Palavra final a Raúl Meireles. Ontem esteve uns furos abaixo, mas foi um dos melhores, e mais raçudos da equipa.

Esperamos pelo Euro 2012. Que por essa altura já tenhamos mais opções e sejamos melhores do que fomos desta vez. Assim o espero eu e um país inteiro. E agora voltemos ao país real…

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