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Porque a minha vida também é Benfica

Não tenho por hábito escrever sobre futebol. O que é estranho, dado o gosto que tenho pela coisa. Aliás, no que toca a futebol, confesso-me ‘marcopauliano’, no sentido em que tenho dois amores: o próprio jogo (que é qualquer coisa de soberbo, aqui ou na conchichina) e o Benfica. O jogo em si desperta-me emoções, mesmo que se trate do Irão-Eslovénia, ou de um ‘excitante’ Ilhas Virgens-Aruba. O Benfica é um caso diferente. Por mais desiludido ou descrente que esteja, dou por mim, na rua, a puxar por um rapaz que esteja a jogar ao berlinde, ‘só’ porque ele tem vestida a camisola do Glorioso.

Pensei se deveria escrever hoje. Como disse anteriormente, opto por não escrever sobre futebol, tema apaixonante e fracturante (prefiro coisas mais calmas, como a religião…), e que já tem gente que chegue a escrever (e bem!) sobre ele. Ainda assim, acompanho a blogosfera, vivo a paixão, a emoção, vou ao Estádio quando tenho possibilidades disso (infelizmente, menos vezes do que gostaria), vibro com as vitórias, sofro com as derrotas. Já chorei, ri, já me deitei no chão em desespero, já saltei até não puder mais. Já chamei nomes ao árbitro e a jogadores adversários, já chamei nomes a jogadores do meu (sim, também é meu) Benfica. Já vi o Benfica a perder (muitas vezes), a ganhar (menos vezes), a conseguir resultados que ninguém esperava (para o bem e para o mal), e agora até já posso dizer que vi o Benfica numa final europeia (os meus 6 anos à data da última final não me permitem lembrar do jogo de ’90…).

Por tudo o que listei acima, digo com confiança que sou do Benfica. E com ainda mais confiança digo que sou cada vez mais do Benfica. ‘Doença’ benigna, paixão que o meu avô materno me deixou como herança, logo a mim, que nasci numa casa onde não se apreciava muito futebol. Lembrar-me da primeira recordação Benfiquista que tenho (o 1-3 em Highbury Park, que vi na casa do meu tio Paulo), lembrar-me do 3-6 em Alvalade (que vi na casa da minha madrinha, rodeado de sportinguistas…), lembrar-me do primeiro dia em que fui à Antiga Luz ver o Benfica (um 0-0 contra o Boavista, com 80 mil pessoas no Estádio e um ambiente que ainda hoje não consigo descrever), lembrar-me do sofri na temporada passada quando o fiscal de linha (que estava à minha frente, literalmente…) se ‘esqueceu’ de que tinha visto o Maicon em fora-de-jogo, e decide entregar o título aos srs de azul. Lembrar-me até do que me custou a dormir no sábado passado, ou da falta de força que senti ontem quando o Ivanovic fez ‘aquilo’. Lembrar-me de tudo é lembrar-me que sou do Benfica, não porque o Benfica ganha, mas porque o Benfica é o Benfica. E por mais que tente explicar isso a quem não é do Benfica ou não gosta de futebol, não o consigo. 

Ontem sofri mais uma vez. Já tinha sofrido no Sábado. Já tinha sofrido na segunda anterior. Mas, e quando o árbitro apitou, de uma coisa só me lembrei: sou do Benfica. E, como diz o hino, ‘isso me envaidece’. Não me interessa que perca nos descontos, seja goleado, goleie, ou até que ganhe a Liga dos Campeões. Sou do Benfica. E isso não depende dos estados de espírito, de alma, dos momentos, das vitórias ou das derrotas. Sou do Benfica. Isso não retira a lucidez para ver o que é feito de bom e de mau, os erros estratégicos, empresariais, ou até desportivos. Mas, no final das contas, sou do Benfica.

E porque sou um homem de fé, acredito piamente que aquilo que nos aconteceu este ano, ser-nos-à devolvido com juros. Se for para o ano, em pleno Estádio da Luz, com 65 mil gargantas em delírio, e mais uns quantos milhões do lado de fora do estádio, tanto melhor. E não sei se não vou começar a mexer os meus cordelinhos junta da Providência para que isso aconteça. Seria épico, e um prémio justo depois do sofrimento que este ano nos foi reservado.

Uma última palavra para os que me lêem e dizem que ‘a vida é mais do que futebol’. É-o, sem dúvida. Mas também é futebol. E é por isso que continuarei a alegrar-me com as vitórias, a chatear-me com as derrotas, e até reservo para mim o direito de chorar numa que seja mais dura de aceitar (como ontem). A minha vida não é futebol, é um facto, mas não deixo de ter um bom cantinho dela reservado para este fenómeno. Um cantinho onde mora essa paixão que o meu avô (saudades) me deixou. Obrigado avô. Obrigado Benfica.

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De cabeça erguida

Abro um parentesis para falar de um tema de que habitualmente não falo quando visto a personagem blogger, mas não resisto ao fazê-lo agora.

Importa fazer a declaração de intenções da praxe: sou benfiquista. Por vezes, um pouco doente confesso. Daqueles que não consegue estar sentada nos últimos 15 a 20 minutos de um jogo. Daqueles que anda nervoso todo o dia quando o Benfica tem um jogo importante. Por vezes, consigo disfarçar bem, confesso, e até dar a ideia de ser alguém ‘normal’, para quem o clube é ‘apenas’ um amor de circunstância, que me alegra quando ganha, mas ao qual eu não ligo quando perde. Nada disso. O meu benfiquismo, que orgulhosamente carrego por influência decisiva do meu avô, mexe comigo, e a tendência é para ‘piorar’. Sou cada vez mais benfiquista e sou-o com cada vez maior orgulho. Hoje foi apenas mais um capítulo nessa história.

Posto isto, falemos de hoje. Do futebol jogado. E nesse, fomos claramente melhores. Quer hoje, quer na primeira mão. Ficou claramente demonstrado que o Chelsea estava perfeitamente ao nosso alcance. E esta é a única coisa que me custa na eliminação. Caímos aos pés de uma equipa que não é, era ou será melhor nem maior que nós. Pode ter muitos mais €, mas no que toca a jogar à bola (coisa que importa, segundo dizem os especialistas, nesta coisa do futebol), foram bastante inferiores ao Benfica no conjunto dos 2 jogos.

Falemos da raça, do coração. Fomos enormes. Mesmo que não tivéssemos sido superiores no futebol, mereceríamos mais sorte pela entrega e raça demonstrada. E sim, isto também é Benfica. A camisola honrada, suada, rasgada. Demos tudo.

Falemos também dos factores externos. É penalti. Foi em Lisboa (mão de Terry na área), também foi o de Londres (Javi faz falta sobre Cole). Maxi viu bem o segundo amarelo (o primeiro foi por protestos, segundo dizem. Não sei o que um árbitro eslovaco entende vindo de um jogador uruguaio que nem parece ter feito grande alarido, mas enfim…). A dualidade de critérios hoje foi bruta e interferiu e muito. O Benfica em 11 faltas viu 7 amarelos e 1 vermelho. O Chelsea em 17 faltas viu 3 amarelos. Condicionou, e muito. Foi pena. Merecíamos mais isenção em ambos os jogos…

Falemos de Jesus. Do Jorge. Eu quero que fique. Lembro-me do Benfica de Quique. E de Camacho. E de Fernando Santos. 3º lugar no campeonato a vintes e tais pontos de distância. Lembro-me também de Koeman, que também chegou aos quartos com um plantel muito limitado, mas que nem luta deu pelo título. Lembro-me também de Trap e de um Benfica que beneficiou, e muito, da fraqueza de todos os oponentes para se sagrar campeão. Sim, gostaria muito que Jesus deixasse de inventar e de ser teimoso (Capdevilla a reserva? Como é possível?!?!). Mas é, de longe, o melhor treinador do Benfica desde Eriksson. E por isso, deve ficar.

Agora espero (eu e todos os benfiquistas) que tudo seja repetido na próxima segunda feira. A garra, a classe, a determinação, o querer, a atitude, o coração. A única coisa que não quero ver repetido é mesmo o resultado. Mas, mesmo que o seja, uma coisa eu sei. O benfiquismo que o meu avô orgulhosamente me ‘pegou’ continuará. A cada jogo. A cada golo. A cada remate ao ferro ou para fora. Nas vitórias e nas derrotas. Benfica SEMPRE!

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